10.11.12

Sobre infância

Ainda bem que fui educado pelos meus pais para realizar meus desejos reais. Eles conviviam comigo de forma afetuosa. O que vemos hoje? Crianças abandonadas a semana inteira no colégio, hotelzinho, futebol, balé (não são todas, claro) e, depois, têm a companhia dos pais em lanches rápidos na McDonalds e na aquisição dos produtos que aparecem na TV. É uma forma de compensação? Eu brinquei na rua e não no shopping. Eu não esperneava pela sandália do meu personagem predileto. Quando eu era criança, existia um consumo consciente. Meus pais não me davam algo que não tivessem condições. Minhas festas de aniversário não foram em buffet. Tinham o sabor do bolo da minha mãe, dos brigadeiros enrolados pela minha irmã e meu pai era quem trazia os refrigerantes. Eu não disse: mãe, compra Baton, compra Baton! E nunca deixei esse bilhetinho para meu pai: "Não esqueça da minha Caloi." São esses os valores que tento passar para meus sobrinhos. Se levo eles ao show de Rebeldes e esperneiam por uma camisa fajuta caríssima dos ambulantes eu digo na-na-ni-na-não. Não é assim. Sandália com salto? Nem pensar. Criança é pra correr. Prefiro dar livros. E sim, compro presentes que passam na TV também, de forma natural. Eles não ficam implorando. Me orgulho da educação que tive. Hoje sou um adulto mais consciente e mais feliz.

5 comentários:

Por que você faz poema? disse...

O consumo infantil mudou muito, sem dúvidas, quando a indústria descobriu que as crianças existem fudeu tudo.

Marcelo R. Rezende disse...

Belo texto. Sinto falta também dessa infância bem vivida. Eu cresci jogando bolinha de gude na rua e brincando de pião. Hoje, meu irmão de quatro anos mexe no PC sem ajuda de ninguém. Não que atrapalhe, mas não ajuda.

Edilson Cravo disse...

Clayton:

Infelizmente a maioria dos filhos serão a reprodução exata de seus pais, consumidores vorazes e solitários crônicos em busca da pílula perfeita...rs

Abraços e linda semana.

Ceronha disse...

Criatura bonita!

Allisson Franklin disse...

certa vez eu li num livro de auto ajuda, daqueles que pouco ajudam, que a capacidade de ser feliz depende da capacidade de suportar frustrações.
os pais de hoje, não todos, para não se frustrarem não frustram a criança em nada: tudo é dado, tudo é satisfeito, tudo é liberado...
quando adulto vem as frustrações obrigatórias de todo adulto e como não havia sido condicionado pelos pais a isso, a consequência são as piores: criminalidade, stress, suicídio, vícios, depressão, terapia, ansiolíticos, fracasso amoroso e profissional...