12.1.11

Teoria da felicidade na prática

Você se aproxima e pergunta o motivo de minha felicidade. Por que meus olhos brilham como duas bolas de sinuca virgens? Você quer saber por que meu sorriso se expande, as sobrancelhas se erguem, as narinas se dilatam e as maçãs do rosto apertam meus olhos. Está namorando, está namorando, você falou antes de eu responder. Por que sempre aliam felicidade à dependência do outro? Felicidade para você é apenas a noção de ser par? É tão mais, é tão ímpar. Pode ser tão solitário. Não confunda: ser feliz não quer companhia, ainda que o encontro seja de você consigo mesmo. Olha, talvez você não me entenda, mas felicidade não é só ter duas pernas e poder andar. É mais, é poder viajar mesmo em cima de uma cadeira de rodas. O coração não necessita de moletas. Estou complicando, não é? E se eu disser que felicidade é a soma da borra de café na mesa, o cheiro das páginas amareladas do livro, pão e mel? É pouco para você? E presenciar duas borboletas copulando, uma criança empinando pipa e uma mulher contando estrelas? Compreende que felicidade é mais que a união de dois corpos ocupando um mesmo espaço?