4.7.11

Solange Kelmy

Moderníssima. Coloridíssima. Belíssima. Bangkok nunca dorme. Solange, também não. Quer aproveitar cada minuto da viagem. Tinta nos cabelos para esconder os brancos, Renew para resolver as marcas do tempo e sempre um cigarro na boca. O relógio marcava dezessete horas e fazia um calor de matar. Enquanto dezenas de pessoas estavam praticando tai chi no Parque Lumpini, Solange Kelmy fazia os cantinhos no Templo do Monte Dourado, escondida dos monges. Cantinho sagrado. Estava deixando os pentelhos da xoxota em forma de coração. Resolveu abrir o coração entre as pernas nesta cidade moderna para salvar o casamento. Nada de massagem tailandesa. Ganhou a viagem numa promoção de creme dental. Mande três códigos de barra com a frase “Superfrash leva meu sorriso para Bangkok” e boa sorte. E a felizarda se chama Solange, espera, Solange o quê, produção? Kel-my. Solange Kelmy, que trabalha no tratamento da malária no Acre. Solange, minha filha, você foi contemplada com uma viagem de dez dias, com direito a um acompanhante e tudo pago: traslados, hotel, alimentação e passeio de elefante. Olha que tromba de prêmio, menina! Vai mostrar para todo mundo que o Acre existe. Tudo impressionava Solange em Bangkok: os letreiros luminosos, a noite agitada, as barracas que vendiam gafanhotos fritos, os mercados flutuantes, seu marido que recusou de comer seu coração.

3 comentários:

Adriana Gehlen disse...

:)



adorooo

Diana Costa disse...

Putz! Que texto excelente!
A critividade nos faz até ser Solange e estar onde ela está.

O Impenetrável disse...

maravilhado com os seus textos. quero uma overdose deles, no caso.

já sigo com louvor.

abraços!