20.12.10

Os cegos é que são felizes.

Parou os olhos na última frase. Paralisado. Era possível ouvir os ponteiros do relógio e os galopes do coração. Lembra que eu tinha uma família construída? Esposa e filhos. Você chegou, invadindo minha casa, meu coração. Eu não queria, mas você foi se aproximando cada vez mais, transformando ausência em necessidade. Sua presença era como uma bomba de ar na qual eu precisava para respirar. Era uma questão de vida ou morte. E se é para manter viva essa chama que você chama de amor, vale a pena eu matar um passado e viver o agora. Carpe diem, você me dizia, carpe diem. Deixei casa, esposa e filhos. Por você, por este amor que você jurava. Isso nunca tinha me acontecido antes. Por que você fez sinal? Por que você me olhou assim? Por que você surgiu na minha frente, como um monstro do Pântano? Eu poderia ser cego. Nunca ter parado meus olhos nos seus. Os cegos é que são felizes. Eles não dispõem desse embaraço que é o olhar. O olho é armadilha do coração. Parou os olhos na última frase e ficou paralisado. Como assim “eu não te amo mais”?