14.11.10

Balanço

Um parque lindo, verde, graminhas, infinito. Um balanço suspenso no ar, preso nas nuvens. Cada impulso de balançar o coração. A imagem se fez na minha frente: meu vô (trabalhador braçal, cortador de cana, recebe o sol no rosto primeiro que todo mundo). Meu vô parou na minha frente. Trajava um terno rosa bebê, com gravata borboleta, sapatos novos, um sorriso largo no rosto e um canudo de papel na mão. Eu balançava cada vez mais alto. O vô me sorria com a alma (era o motor do meu balanço). O canudo de papel seria meu diploma? O terno rosa bebê seria a roupa de festa do meu vô para a minha formatura? Eu só tinha nove anos. Aprendi com aquela imagem que a vida é que é a maior faculdade que o ser humano pode cursar. Existem as provas, o trabalho em equipe, as notas. Naquele dia eu me balancei mais alto. Sorrir é matéria indispensável na escola da vida.
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Dedico este a amável Katianne Lima.