31.8.10

nossos corpos no reflexo da tevê

E muito mais interessante que o sexo é olhar sua instabilidade. Toda. É saber que depois do sêmen lançado no ar em direção ao meu tórax semeamos o momento de estarmos um com o outro. Mesmo sabendo que você vai embora. Sem olhar para trás. O que importa o tempo passado se podemos viver o agora nesse fluxo de nossos corpos suados? Cais. Ele acendeu o segundo cigarro olhando o próprio reflexo na tela da tevê desligada. Eu olhava sua nuca, a dobra do braço e aquela mão que sabia o início e o fim de mim. A mesma mão que um dia dirá adeus. E muito mais interessante que pensar em sua viagem de não mais voltar é sentir seu beijo de pêssego em calda. Tudo. Os pentelhos. Todos. Os abraços que partirão para sempre na ilha sem fim.