7.7.10

uma historinha

Era uma vez, quer dizer, eram todas as vezes que eu ia ao bar. Era o jeito de sentar, pendendo um pouco para o lado direito. A maneira de levar a bebida à boca, parando um ou dois segundos entre a mesa e os lábios. As pernas cruzadas com elegância, contrastando com os cabelos desgrenhados. O mesmo horário. Onze horas. Comecei rasbicando sua silhueta num guardanapo com a caneta emprestada do garçom. As têmporas. O dorso. O tórax. O quadril. As canelas. Demorei em seu rosto. Você nem imagina que fora inspiração para minhas telas. Você na sala sobre as avencas. Você no quarto dividindo a atenção com a tevê desligada. Você no terraço de frente para os cantores sabiás. Você sempre esteve em mim. E todos foram felizes para sempre?