30.9.10

Vida sucessão de vidas.

Para mim, tem um sentido as coisas acontecerem ou deixarem de acontecer. Perder um trem, atrasar um encontro, passar num boteco e tomar algumas cervejas sem motivos maiores. É como se você parasse os ponteiros do relógio, sabe? Segundos, minutos e horas suspensos. Sem tic-tac. Sem tempo. A vida para mim só faz sentido quando o tempo é agora. Agora, e depois de três segundos já era. Percebe? Agora, já foi. No momento em que as palavras me escapam no teclado já foi. Um, dois, três e não é mais. Não há. Não está. Viver é isso. Deixar de viver ponteiros, tic-tac, despertador. Viver é despertar a dor agora. E já não é mais.

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Dedico este post ao amigo Zeca, a quem tenho gigante apreço.

22.9.10

21.9.10

Papel de presente.

Pus meu coração na vitrine. Você passou em frente à loja e perguntou a vendedora quanto custava. Você resolveu levar. Se bem que é difícil para você lidar com objetos que não sejam ligados a finanças, números, cotações. De toda forma aí vai o manual de instrução, ok? No primeiro dia que você me viu, olhou, levou embora meu coração e o perdeu. Afinal, você não soube nem tirar o embrulho.

17.9.10

QUANDO AQUILES SANGROU ou SUAS MÃOS ONDE ESTÃO?

QUANDO AQUILES SANGROU ou SUAS MÃOS ONDE ESTÃO?
Teatro Santa Isabel (Salão Nobre), 17/09, HOJE, às 18h. >>Entrada franca<<

Texto: Carlos Bartolomeu.
Direção: Wellington Jr.
Elenco: Cleyton Cabral e Pascoal Flizola.

Release:
Alegoria da perda amorosa dentro de uma relação homoafetiva. Desfilando memórias e a possibilidade de um discurso romântico dentro da internet, dois personagens, um no presente e outro na Grécia antiga dialogam sobre a amorosidade, a impossibilidade do casal e a superação, no encontro com o ato de recordar.
Aguado você lá.

15.9.10

Dentro e fora.

Dentro, sangue, fígado, osso e coração. Fora, pele e contemplação. Onde está você entre meu interior e meu exterior? Fêmur, colo, visitação. Úmero, abraços, vai embora não. Pélvis, desejo, fornicação. Suor, frenesi, ejaculação.
Ejaculação, frenesi, suor. Fornicação, desejo, pélvis. Não embora vai, abraços, úmero. Visitação, colo, fêmur. Exterior meu e interior meu entre você está onde? Contemplação e pele, fora. Coração e osso, fígado, sangue, dentro.

14.9.10

Dos dias frios.

Drummond disse com tanta firmeza: a vida não se perdeu e o coração continua. Ouso te responder porque os invernos são dramáticos e perigosos: porque invernos não vêm com abraços em forma de cachecol.

13.9.10

Economia política dos afetos.

Troca-se a sala de estar ou a sala do cinema pelas salas dos chats. Troca-se a rede de dormir pelas redes sociais. E assim o coração vai ficando cada vez mais digital. O amor através de logins e senhas. Oferta-se flores nas janelas do MSN em vez de comprá-las na floricultura da esquina com perfume e presença. Não há contemplação nas janelas das casas. Há dezenas de janelas abertas nas telas dos computadores. Eros através de milhões de pixels, acertando flechas a cada teclada, em cada discurso platônico, cada imagem multifacetada. Hoje não se segue por ruas compridas a fim de que se possa receber um abraço. Segue-se no twitter. Ninguém dá bom dia boa tarde boa noite, mas todos querem ser seu amigo no Facebook, Orkut. Quepassa?

10.9.10

tu

Tua coleção de gafanhotos (e a vontade de se transformar em um só para estar sempre na tua casa, mesmo que trancado no teu guarda-roupa).
A maneira como tu abres a porta para mim (abrindo um sorriso logo em seguida).
O teu beijo de hortelã no meu olho (que mesmo fechado enxerga teus lábios e cura qualquer dor de cabeça).
Todas as luzes apagadas na brincadeira de esconde-esconde (eu te encontrei dentro da geladeira qual um esquimó e te levei ao forno brando).