31.8.10

nossos corpos no reflexo da tevê

E muito mais interessante que o sexo é olhar sua instabilidade. Toda. É saber que depois do sêmen lançado no ar em direção ao meu tórax semeamos o momento de estarmos um com o outro. Mesmo sabendo que você vai embora. Sem olhar para trás. O que importa o tempo passado se podemos viver o agora nesse fluxo de nossos corpos suados? Cais. Ele acendeu o segundo cigarro olhando o próprio reflexo na tela da tevê desligada. Eu olhava sua nuca, a dobra do braço e aquela mão que sabia o início e o fim de mim. A mesma mão que um dia dirá adeus. E muito mais interessante que pensar em sua viagem de não mais voltar é sentir seu beijo de pêssego em calda. Tudo. Os pentelhos. Todos. Os abraços que partirão para sempre na ilha sem fim.

5 comentários:

Marcelo R. Rezende disse...

Foda.
Perfeito.
Tudo.

Rodrigo disse...

Amo os microcontos, mas tava sentindo falta de textos maiores. Densos como este. E curtos pra tanta densidade.

O que é isso? disse...

Vc anda tão inspirado! e tão gostoso!!!!

Paulo Braccini disse...

"Eu olhava sua nuca, a dobra do braço e aquela mão que sabia o início e o fim de mim. "

absorto e feliz em seus devaneios lúdicos ...

bjux

;-)

i ILÓGICO disse...

nusga!