18.5.10

menino Teatro

O menino Teatro, com 2.500 anos a.C chora.
O menino desamparado chora e mostra sua
máscara trágica à lâmina espelhada do Capibaribe.
E o menino Teatro silencia os tambores com a
expressão do luto. Menino Teatro se transforma
em coro e chora.
Foi muito digno e triste e feliz e corajoso participar do ato público em frente ao Teatro de Santa Isabel ontem. Paradoxal, mas me senti mais artista, por lutar por uma política cultural mais digna. Mesmo que tenha sido um pequeno passo, foi um passo importante para que sejamos respeitados e valorizados com a nossa arte, assim como merecemos. Obrigado a todos os amigos artistas que foram. Obrigado aos que foram e não ficaram de braços cruzados. Fica a dica.
Recife, 18 de maio de 2010.

17.5.10

vou contar até 100

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20...
Pronto, agora vou procurar por você.
Ele se escondeu para todo o sempre.
Ela não quer mais brincar de amor.

7.5.10

O olho de trás é cego, mas pode disparar a qualquer momento.

Gostava de adivinhar o que a pessoa fazia pela cara, pela postura. E nem precisava ouvir a pessoa falar. Era engraçado porque quase sempre acertava. Quer dizer, sempre acertava. Cabelos ficando grisalho, bigode Hitler, unhas roídas e com sujeira, pele queimada do sol, barriga de chope, camisa de botão com uma preta por dentro, calça jeans e tênis. Estava na cara que era um policial civil. Os policiais civis uma vez e sempre são grisalhos, usam bigode Hitler, têm as unhas carcomidas e sujas, além do corpo avermelhado das rondas diárias. O celular do fulano soou e ele atendeu dizendo termos que só confirmaria o jogo de adivinhar: É, esse vai cair rapidinho, tem cara de bonzinho o rapaz. Não dou mais um dia, escreve o que estou dizendo. Desligou o telefone sorrindo por cima daquele bigode, como só um policial civil sabe fazer. Ele tinha uma arma entre as costas e a bunda.

3.5.10

Deitados no asfalto, eles só queriam ser felizes.

Deitados no asfalto com o sol na cara, às 6 da manhã, coreografando o trago do cigarro olhando o céu, enquanto os outros pisavam no acelerador achando tudo aquilo estranho. Era preciso deixar os cabelos lavados ao chão. Era preciso deixar a areia colar nas costas. Era preciso estar ali. A cama de concreto e o sorriso caiado recebendo os primeiros raios da manhã. Bêbados e felizes.