12.11.09

sinais de fumaça

Você anda me esnobando há dois dias. Pensa que não me dei conta? Como assim? Você chega de mansinho, na malemolência e depois passa por mim e nem olha? Hoje você mudou de calçada três vezes quando me viu, como se nada tivesse acontecido antes. Cínico, indelicado! É, todos os dias depois do almoço vinha ao meu encontro, quando estava atolado de anúncios e não vinha uma idéia descia para ficar perto de mim. Só porque sou pequeno pensa que não tenho voz? Hoje eu resolvi falar: você desistiu de mim, o último da caixinha, tinha dezenove para você abandonar, mas escolheu logo a mim, pobre cigarro, abandonado pelo seu dono em plena terça-feira. Com o pretinho você continua conversando, é café pra lá é café pra cá... e eu como fico nesta história? Pensei que ia ser tragado enquanto você fizesse o número dois em casa. Você não adorava conversar comigo enquanto fazia o número dois? Ah? Eu falo mesmo para todo mundo ouvir e saber quem você é. Eu fico pegando fogo de raiva, chega sai fumaça e você nem nem, nem para prestar atenção no que estou falando. Me deixa feito um otário dentro deste cesto de lixo. Intragável é você! É a sua mãe! Okay, no meu filtro você não passa mais.