26.8.09

Stand’up comedy

Entra neutro, olha a platéia por alguns segundos e cumprimenta:

Ok, eu sou uma girafa nipônica.

Eu me orgulho de estar desempregado porque isso faz com que aproveite o tempo livre para dormir, ficar na internet e fazer miojo de galinha caipira, embora eu more na cidade grande. Na verdade nem é tão grande assim, todo mundo se conhece. E com esse tamanho não tem como se esconder não é? a cidade é um ovo. Fico imaginando quando tenho que fritar ovo, porque eu odeio tirar aquele negocinho gosmento que cai junto com a gema. Odeio. Logo que estalo os ovos corro para lavar as mãos. Toc sei lá, nojo. Mas o que mais me preocupa é como andam alimentando os pobres dos franguinhos na granja, anabolizantes. Tenho medo de engordar drasticamente. Em criança, minha mãe me forçava a tomar de tudo para engordar: Biotônico Fontoura, grrafada, Emulsão de Scoult de bacalhau, remédios para lombrigas e todas aquelas vitaminas da infância. Nhé. Acho que eles só me esticaram. Vocês já devem estar pensando “tu és magro de ruim”.

(irônico) Eu amo ir à praia. Pense como amo. Olhem o bronze. Tirar a camisa, o short e ficar apenas de sunga? Eu a-do-ro, nossaaaaa. As pessoas olham para mim, todo mundo olha para mim, de cima a baixo. É, eles devem pensar que sou mais um coqueiro na paisagem. Corro pro mar e fico só com a cabeça de fora. E para voltar para a cadeira da praia? Respiro, olho para todos os lados e imagino que não tem ninguém olhando para o meu “corpão”. É, as pessoas enchem o saco com essa coisa de autógrafos, fotos... é paparazzo por todos os lados... e no outro dia lá estou no youtube. Que sexy não?

Dia desses me ligaram de São Paulo. Atendi ansioso, porque tinha mandado uns currículos para lá, poderia ser a oportunidade. Alô? Ficou mudo e desligaram. Droga! Poderia ser a chance de conseguir um emprego, pagar minhas faturas atrasadas do banco. No outro dia ligaram de São Paulo novamente. Agora a técnica do curso de telemarketing me serviu, atendi sorrindo: alô? E quem era? O banco, cobrança. Argh!

Cartão de crédito é uma armadilha (para não dizer uma merda), a gente anda sem dinheiro e em todos os cantos aceita. E como gosto de novidades, cerveja e baladas, lá estou sempre com o meu cartão. Pinnn, transação autorizada. Uma noite, depois de muitas cervejas, a maquininha disse: pinnn, transação não autorizada. Fudeu! A sorte é que eu estava com amigos. Imagina minha cara pro gerente: é... é que... estou devendo ao Banco, acho que estou sem créditos no momento, sei que já tem o pessoal que lava os pratos... eu poderia varrer e passar pano no salão quando a galera for embora.

Odeio quando alguém entra no MSN e comexa a falar axim e axado, e num xei o quê. Como tu taix? Aiiiiiiii, não aguento. Imagina a babá da rainha do baixinhos: “Xuxa, a Sasha fez xixi na xala.” Não aguento. E tem gente que ainda xe dexpede axim: “xauz, fca com Deuxs e qualquer coixa me xama. Txi amu.” Arghhhhh!!! Vai com Deuxs e fica por lá mesmo, beixinho, beixinho, xau, xau.

(orgulho) Adoro ser solteiro: solteiro não precisa inventar histórias e dizer que vai fazer hora extra no trabalho, solteiro não precisa gastar com presentes no dia dos namorados, nem no Natal, nem na Páscoa... Ser solteiro é uma forma de redução de despesas. Solteiro não precisa comprar flores, chocolates, entradas de cinema, milk shake, Macdonalds. Ser solteiro não engorda. Solteiro pode pular de bar em bar, encher a cara, beijar quem quiser, sem se preocupar com a hora de voltar para casa. Ser solteiro é mais divertido.