7.8.09

"Meu querido amigo, gostaria que você se desse um tempo para mim, e lesse minha carta até o final. Começo chamando você de amigo, e amigo querido porquê de fato, a esta altura dos acontecimentos, das distâncias e de silêncios de ambas as partes, seja este o nome que devo colocar em relação a você. Espero que eu não me engane mais uma vez, espero que você tenha a lucidez pra encarar nossa maneira de nos relacionarmos, e tentar me falar o que de fato aconteceu, e acontece. É possível, que uma nova relação tenha acontecido, e você tenha se esquecido de me revelar, embora eu tenha sempre perguntado sobre essa possibilidade, e sempre você tenha me negado. Possivelmente você tenha se dado conta que nós, não éramos exatamente isso que você precisava e tenha querido sair fora dessa relação. Relação que eu sinceramente vejo agora, como uma necessidade mais minha que sua. Isso para mim, se traduz em reconhecer, que eu me empenhei mais em criar nossa história. Não que não tenha acontecido de sua parte interesse; mas, não houve abandono. Tudo acontecia na medida de suas possibilidades. Eu não. Eu me entreguei; abandonei-me ao meu projeto, sem nem mesmo perceber que eu não te dava alternativa em meu sonho. Mas, como você mesmo me fez ver um dia: eu não ouvia você. Eu não entendia os sinais que você emitia, não queria escutar as frases soltas, as suas decididas impossibilidades de nos reunirmos, de termos um tempo... Seu tempo não me importava de fato. O seu tempo deveria ser nosso. Espaços pra um não havia, só o duplo me interessava. Nós, a nossa dupla.
O Duplo: Nós."
Trecho da peça que estou ensaiando: As tuas mãos onde estão? Ou Quando Aquiles sangrou, de Carlos Bartolomeu.