7.4.09

O dia em que Piaf encontrou o Tom de Vínicius.

Assim que cheguei ao Teatro neste último sábado, na fila da bilheteria uma amiga falou: “É um espetáculo para criança. O que está fazendo aqui?”. Eu respondi: “Eu trouxe a criança que existe dentro de mim para sorrir”. Ingresso na mão, eu aguardava ansiosamente, quer dizer, a criança dentro de mim aguardava a hora de brincar, pular, e por que não se encantar? E o espetáculo começou do lado de fora do Teatro Apolo. As crianças, os adultos e idosos, além das crianças dentro de cada um, foram recebidas por palhaços de todos os jeitos: grandes, pequenos, arrumados, desajeitados. Uns falavam em português, outros em francês e todos a mesma língua: a do olhar e a do coração. Cabaret Folias de Palhaço - resultado lúdico-poético do intercâmbio para troca de experiências entre 10 palhaços franceses do Le Rire Médecin e 12 brasileiros do Doutores da Alegria Recife, incluindo aí a participação de 3 palhaços de São Paulo e 1 de Belo Horizonte, além do idealizador e coordenador geral do programa aqui no Brasil, Wellington Nogueira.
Quando entramos no Teatro, fomos recebidos em serenata por uma dupla de palhaços. Fiquei encantado com a sutileza e primor com que eles faziam som, o canal de comunicação com cada um de nós da platéia estava aberto para o jogo. E logo foi entrando mais um e mais outro e mais outro. Em seguida um bando de palhaços invadiu o palco, digo uma bandinha de músicos, um mais colorido e engraçado que o outro. Tocaram. Tocaram o coração de todos. Estava feito o pacto pela alegria. A partir de então, entraram duplas e trios para jogar, a platéia ligada a 220 volts à espera por um tombo bobo, um escorregão, uma palhaçada. O elenco afinado e redondo contagiava a todos com suas peripécias. Destaque para Helene, Esthefi e Luciana Viacava.
Um dos momentos mais emocionantes foi ver/ouvir Garota de Ipanema e La vie en Rose serem cantadas/executadas pelos gringos e pelos brasileiros. Foi um carnaval cheio de cores, sabores e aromas. Eu tenho certeza que Vinícius de Moraes, Tom Jobim e Édith Piaf aplaudiram de pé lá de cima. Se esses narizes vermelhos conseguem encantar a gente em uma horinha, fico imaginando as crianças dodói nos hospitais... quanto encantamento!
Digno, digníssimo, dignânimo! O encontro de palhaços franceses e brasileiros resultou em um lindo espetáculo, que pode ser visto em qualquer lugar e a qualquer hora, aqui, ali, em Jeriquaquara, Montmartre, Jacarepaguá, Vila Madalena ou Hong Kong.

Para conhecer mais sobre o programa Doutores da Alegria, acesse http://www.doutoresdaalegria.org.br/
* Palhaços clicados pelas lentes de Val Lima.