27.2.09

sobre peles e pensamentos

Ele entrou na loja de perfumes pra lembrar do cheiro que ela tinha. Teve vontade, mesmo sabendo o cheiro de cor. A moça da loja não o recebeu, estava desatenta por trás do balcão. A vontade que ele tinha era de sair já que não tinha ninguém para atendê-lo. Mas ele não queria atenção da dona mesmo, queria passear as mãos por entre as fragrâncias e tatear o pensamento para além. Os vidros dos perfumes, suas formas e essências se misturavam. Era uma festa de cheiros, desejos e memórias. Ele comprou um perfume doce e saiu da loja com um olhar amadeirado e cítrico, renovado como num banho de alfazema. Tudo para lembrar do jeito doce dele.