31.8.09

ÉPICO
Irma e Irna, por Cleyton Cabral em 06/05/09
(ATOR ENTRA, FALA COM A PLATÉIA, LUZ GERAL)
ATOR
Boa noite a todos. Desculpe-me o atraso de cinco minutos pro espetáculo começar. É que tivemos um problema técnico na luz. (APONTA PARA OS REFLETORES) Bom, vocês podem estar se perguntando o porque de eu estar todo molhado... Não, eu não tomei um banho de chuva. Se estou com frio? Muitíssimo. Por favor desliguem seus celulares. Se realmente estiverem esperando uma ligação de urgência, deixem no modo silencioso. Vibrou, você sai pelo corredor sem fazer muito barulho, eu não vou me incomodar.
(CAMINHA PELO PALCO E PÁRA EM DETERMINADO PONTO. LUZ SOBRE ELE)
ATOR
Elas tinham as mesmas idades, o mesmo tom de voz, eram roucas e fumavam demais. Cigarro. Elas eram siamesas. Até aí, tudo igual, né? Mas uma coisa que mudava todo o contexto da vida delas: eram totalmente diferentes no temperamento. Uma ficava triste, a outra gozava o prazer de mais um cigarro de capuccino. Uma chorava, a outra gargalhava vendo novela mexicana. Irma e Irna. Quatro letras. Apenas uma letra para ser diferente. (USA DE EXPRESSÃO CORPORAL PARA INTERPRETAR AS DUAS, VIRANDO O CORPO PARA O LADO DIREITO OU PARA O ESQUERDO.) Mais um? (REPRESENTANDO ACENDER UM CIGARRO SEM CIGARRO E SEM ISQUEIRO. VIRA O LADO DO CORPO PARA REPRESENTAR A OUTRA IRMÃ) Mais um. (REPRESENTA ACENDER O CIGARRO. VOLTA-SE PARA A PLATÉIA) Era assim todos os dias. As duas fumavam mais de duzentos cigarros. (IMITA AS SIAMESAS NUM MOVIMENTO COM OS BRAÇOS, LEVANDO AS MÃOS ATÉ A BOCA) A casa era branca até elas decidirem entrar no vício. O teto amarelou de fumaça. A sala de jantar da casa parecia mais um cinzeiro gigante. (TOSSE COMO SE O PALCO ESTIVESSE TOMADO POR FUMAÇA)
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Exercício do Grupo de Estudos de Dramaturgia.

26.8.09

Stand’up comedy

Entra neutro, olha a platéia por alguns segundos e cumprimenta:

Ok, eu sou uma girafa nipônica.

Eu me orgulho de estar desempregado porque isso faz com que aproveite o tempo livre para dormir, ficar na internet e fazer miojo de galinha caipira, embora eu more na cidade grande. Na verdade nem é tão grande assim, todo mundo se conhece. E com esse tamanho não tem como se esconder não é? a cidade é um ovo. Fico imaginando quando tenho que fritar ovo, porque eu odeio tirar aquele negocinho gosmento que cai junto com a gema. Odeio. Logo que estalo os ovos corro para lavar as mãos. Toc sei lá, nojo. Mas o que mais me preocupa é como andam alimentando os pobres dos franguinhos na granja, anabolizantes. Tenho medo de engordar drasticamente. Em criança, minha mãe me forçava a tomar de tudo para engordar: Biotônico Fontoura, grrafada, Emulsão de Scoult de bacalhau, remédios para lombrigas e todas aquelas vitaminas da infância. Nhé. Acho que eles só me esticaram. Vocês já devem estar pensando “tu és magro de ruim”.

(irônico) Eu amo ir à praia. Pense como amo. Olhem o bronze. Tirar a camisa, o short e ficar apenas de sunga? Eu a-do-ro, nossaaaaa. As pessoas olham para mim, todo mundo olha para mim, de cima a baixo. É, eles devem pensar que sou mais um coqueiro na paisagem. Corro pro mar e fico só com a cabeça de fora. E para voltar para a cadeira da praia? Respiro, olho para todos os lados e imagino que não tem ninguém olhando para o meu “corpão”. É, as pessoas enchem o saco com essa coisa de autógrafos, fotos... é paparazzo por todos os lados... e no outro dia lá estou no youtube. Que sexy não?

Dia desses me ligaram de São Paulo. Atendi ansioso, porque tinha mandado uns currículos para lá, poderia ser a oportunidade. Alô? Ficou mudo e desligaram. Droga! Poderia ser a chance de conseguir um emprego, pagar minhas faturas atrasadas do banco. No outro dia ligaram de São Paulo novamente. Agora a técnica do curso de telemarketing me serviu, atendi sorrindo: alô? E quem era? O banco, cobrança. Argh!

Cartão de crédito é uma armadilha (para não dizer uma merda), a gente anda sem dinheiro e em todos os cantos aceita. E como gosto de novidades, cerveja e baladas, lá estou sempre com o meu cartão. Pinnn, transação autorizada. Uma noite, depois de muitas cervejas, a maquininha disse: pinnn, transação não autorizada. Fudeu! A sorte é que eu estava com amigos. Imagina minha cara pro gerente: é... é que... estou devendo ao Banco, acho que estou sem créditos no momento, sei que já tem o pessoal que lava os pratos... eu poderia varrer e passar pano no salão quando a galera for embora.

Odeio quando alguém entra no MSN e comexa a falar axim e axado, e num xei o quê. Como tu taix? Aiiiiiiii, não aguento. Imagina a babá da rainha do baixinhos: “Xuxa, a Sasha fez xixi na xala.” Não aguento. E tem gente que ainda xe dexpede axim: “xauz, fca com Deuxs e qualquer coixa me xama. Txi amu.” Arghhhhh!!! Vai com Deuxs e fica por lá mesmo, beixinho, beixinho, xau, xau.

(orgulho) Adoro ser solteiro: solteiro não precisa inventar histórias e dizer que vai fazer hora extra no trabalho, solteiro não precisa gastar com presentes no dia dos namorados, nem no Natal, nem na Páscoa... Ser solteiro é uma forma de redução de despesas. Solteiro não precisa comprar flores, chocolates, entradas de cinema, milk shake, Macdonalds. Ser solteiro não engorda. Solteiro pode pular de bar em bar, encher a cara, beijar quem quiser, sem se preocupar com a hora de voltar para casa. Ser solteiro é mais divertido.

19.8.09

Dandara.

Dandara. Filme de Daniel Monteiro.
1a exibição: 24 de setembro, no auditório da Livraria Cultura (Recife).
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Maquiagem e caracterização: Catarina Souza.
Fotografia: Gabriela Nóbrega.

14.8.09

Bom dia amiguinhos...

Oi gente, bom diaaaaaaa. Sentiram minha falta? Me senti a Xuxa agora. Hehe Então, estou numa correria danada esses dias, não tive tempo de aprontar textinho poético, metafórico ou erótico. Nhé. Então, na verdade estou me sentindo um monstrinho: ontem depilei as pernas abre parênteses calma, deixa eu explicar fecha parênteses, pois irei gravar um curta esse fim de semana. Viverei um travesti chamado Dandara. Em breve volto a atualizar o blog.
Beijoalisaminhaspernas.

7.8.09

"Meu querido amigo, gostaria que você se desse um tempo para mim, e lesse minha carta até o final. Começo chamando você de amigo, e amigo querido porquê de fato, a esta altura dos acontecimentos, das distâncias e de silêncios de ambas as partes, seja este o nome que devo colocar em relação a você. Espero que eu não me engane mais uma vez, espero que você tenha a lucidez pra encarar nossa maneira de nos relacionarmos, e tentar me falar o que de fato aconteceu, e acontece. É possível, que uma nova relação tenha acontecido, e você tenha se esquecido de me revelar, embora eu tenha sempre perguntado sobre essa possibilidade, e sempre você tenha me negado. Possivelmente você tenha se dado conta que nós, não éramos exatamente isso que você precisava e tenha querido sair fora dessa relação. Relação que eu sinceramente vejo agora, como uma necessidade mais minha que sua. Isso para mim, se traduz em reconhecer, que eu me empenhei mais em criar nossa história. Não que não tenha acontecido de sua parte interesse; mas, não houve abandono. Tudo acontecia na medida de suas possibilidades. Eu não. Eu me entreguei; abandonei-me ao meu projeto, sem nem mesmo perceber que eu não te dava alternativa em meu sonho. Mas, como você mesmo me fez ver um dia: eu não ouvia você. Eu não entendia os sinais que você emitia, não queria escutar as frases soltas, as suas decididas impossibilidades de nos reunirmos, de termos um tempo... Seu tempo não me importava de fato. O seu tempo deveria ser nosso. Espaços pra um não havia, só o duplo me interessava. Nós, a nossa dupla.
O Duplo: Nós."
Trecho da peça que estou ensaiando: As tuas mãos onde estão? Ou Quando Aquiles sangrou, de Carlos Bartolomeu.

6.8.09

Peça em 3 atos.

1º ATO

(abre o zíper)

2º ATO

(põe para fora)

3º ATO

(diz com voz suave) Mechupaeagradece.

(cai o pano)

3.8.09

fim-de-semana.

Pai, afasta de mim este cálice, este copo americano, esta taça, esta lata, esta garrafa...