8.5.09

torta alemã.

Entrou no restaurante cumprimentando a todos com o aperto de mãos, típico dos alemães. Parecia realmente um almoço de negócios. E como eles, os alemães, são pontuais, o homem que aparentava seus 45 anos postou-se a mesa às 14h em ponto. Não lembro o nome, deveria ser Adolph, Wolfang, Hanz ou Günter, não importa. Então, ele passava o celular para os outros homens verem e comentarem. Era muito curioso o som que saia do aparelho: gargalhadas de crianças, vozes e gruídos. Até que o japa paralisou o celular nas mãos e disse: gostei dessa, ruivinha, ruivinha. E o cara com cara de italiano: então eu fico com a pretinha. E o outro: eu quero a de cabelos lisinhos e loiros. E cada um escolhia pela cor, pelo tipo de cabelo. Um foi até poético: eu quero a de olhos azul-Porto de Galinhas. Gente, eu nunca ouvi alguém dizer essa cor. Azul-marinho, azul-piscina ou azul-turquesa, vamos lá. Cada um assinou os cheques, entregou pro galego e encerraram a reunião cordialmente, com o aperto de mãos alemão. Afinal de contas, eles já escolheram o que comer de sobremesa.

8 comentários:

Adriana Gehlen disse...

uahauhau, BOOOM
déls.
é, hoje de tarde dei um aperto de mão de despedida ao invés de um abraço.
paciencia.

iilógico disse...

aqui...
não tinha uma negra?
não que eu tenha este tipo de atitude. ainda mais que de sobremesa prefiro pudim!

Luna Sanchez disse...

Hummmmm

Tem um tom de azul, que é "azul calcinha". Só pra constar. ;)

ℓυηα

Jairo Souza disse...

E que sobremesa hein!

Altavolt disse...

Triste, porque os pedófilos nojentos devem decidir os seus assuntos vergonhosos exatamente dessa maneira fria e aparentemente normal. Belo texto, que traz à tona esse tema tão sério. abraço.

Aprendiz disse...

Bonito, bonito... era os alemães encontrarem vários negros com vontade de correr! :D
Aí, ficava fácil... a sobremesa era vaca charolesa! Sobremesa dos negros, claro! :D
Abraço

.lucas guedes disse...

triste, mas real.

:-(

.

Gaby disse...

Cleyton,

Começo por agradecer a sua visita e comentário.
Este seu texto está muito bom.
Infelizmente, esta é a realidade atroz e cada vez mais abrangente da nossa sociedade.
Bj.