31.3.09

Bem-me-quer-bem, mal-me-quer-mal.

Atendeu o telefone que não tocou e ensaiou um diálogo:

- Bem, se mal te perguntes, ainda me queres?
- Podemos tomar algo, uma cerveja ou um licor.
- Prefiro a embriaguez dos teus lábios.
- Podemos ouvir um jazz ou um blues.
- Prefiro a valsa dos teus abraços.
- Podemos fazer uma viagem à praia ou ao campo.
- Prefiro me perder na geografia do teu corpo.

E o telefone tocou de verdade, era seu pai:

- Alô?
- Oi filha, você está bem?
- Tomei uma dose de licor de chocolate, ouvi quatro ou cinco músicas da Billie Holiday e apanhei umas estrelas na prainha dali.
- Comprei uns discos pra você.
- Ok.
- Você está bem?!
- Tomei uma dose de licor de chocolate, ouvi quatro ou cinco músicas da Billie Holiday e apanhei umas estrelas na prainha dali.

30.3.09

mar e azia. maresia.

“Tchau, a gente se fala” é um banho de água gelada. “Tá bom, a gente marca” é o mesmo que “não estou interessado em te encontrar”. Não é melhor dizer a verdade? “Olha, você é legal, bacana, mas, eu não quero nada sério, okêy? Não estou interessado em ti, não quero namorar contigo, é uma ficada e ponto final”. Daí ele desceu a escadinha que dá para a porta de saída do prédio e caminhou até à praia. Queria ver o azul do mar e o verde do céu, o cinza do sol e o amarelo das algas. Queria experimentar o doce da água e o salgado da cocada. Ele queria tudo ao contrário para não ser como os outros.

26.3.09

Santa (&) Paciência.

Santa – Eu nunca fiz oral em meu namorado.
Paciência – ãhãm.
Santa – E só transo com ele de luz apagada.
Paciência – Sei.
Santa – Ai, eu tenho nojo.
Paciência – ãhãm.
Santa – É que sei lá, tem um gosto de clara de ovo com água sanitária.
Paciência – Sei.
Santa – Você já fez à três?
Paciência – ãhãm.
Santa – Você tem cara que sabe fazer o mó boquete.
Paciência – Sei.
Santa – Tá vendo? Queria ser assim como você.
Paciência – ãhãm
Santa – O seu namorado parece ser bem legal.
Paciência – Sei.

25.3.09

babei no topo da montanha.

Ela sabia que todos sabiam que ela é gostosa, que por onde passa, quem passa por ela vira e olha e deseja e quer. Até o criado-mudo quando a viu falou. Abriu a boca e a vontade era de abrir o zíper do jeans e tome. Morena, cabelos lisos bem pretos, traço oriental, insinuação Marilyn Monroe, bunda Carla Perez, olhar 43, sapato 34. Tipo colegial arranca suspiros de homens, mulheres, crianças e velhos: o estudante de jornalismo, o executivo, o guardador de carro, o vendedor de amendoim, a menina da mesa da frente, o caixa do bar. Ela causa o maior tumulto em fila de banco, fila brasileiro e até fila da puta. Ela chega na faculdade entre 19h e 19h10 e lá estou com a câmera na mão pra pega-la pelo pé, pelo quadril, pelo pescoço, desce pra bunda, vai no umbigo, escorrega pros seios e para na boca. Ela insinua. Click. Click. Click. Ela entra na sala, a turma silencia e ouve-se um fiu-fiu lá de trás e mais um e mais outro. E do outro lado eu clico suas pernas, suas mãos, seus olhos e alcanço a montanha. Estou no topo da montanha. Embaixo corre o rio, nascente, pungente, pingente, oceano de líquido libidinoso. Click. Click. Click.
*esse texto faz parte da série Eu te paraliso com um click. Esse da foto sou eu clicado por Lula.

19.3.09

Eu nasci hoje.

Eu nasci hoje há vinte e quatro anos atrás. E têm muitas coisas nesse mundo que eu preciso saber mais. Estou disposto a errar, aprender, tropeçar e levantar. Se tiver de chorar, sorrir, sonhar, perder ou ganhar eu não irei me acomodar. Quem me conhece bem sabe, e quem conversa comigo dez minutinhos, também. Quando eu quero muito uma coisa eu consigo. Isso vai além do querer, da persistência, da batalha. Isso faz parte de mim. E assim vou juntando essas vontades de ser sempre melhor em tudo que faço, ambição de quem não se contenta com o mínimo, com o lugar-comum, porque eu sou grande e sei que posso ser maior. Sem pisar em cima de ninguém, porque esse é meu mantra todos os dias. Gostaria de agradecer a todos que convivem comigo, que me aturam, que acreditam nos meus sonhos mais bobos, e nos mais sérios, aos que me lêem, me ouvem, me fitam, aos transeuntes. E que essa vivacidade de Peter Pan nunca se apague em mim. Parabéns, para quem vos fala.

16.3.09

Plano com-sequência.

Ela me desarma, me deixa com cara de bobo. Por que você é assim? Mudei as lentes da câmera, medi a iluminação e ajustei a abertura para registrar cada movimento. Era necessário pegar toda sequencia. Ela roda a maçaneta e adentra a porta vestindo uma lingerie vermelha e plumas, em cima de um salto 15 dourado. Click. Click. Click. Nenhuma maquiagem, ela não precisava, a pele alva era protegida pelo clima frio daquela cidade. Lábios rosados, olhos mel e nariz afilado, emoldurado por cabelos loiros encaracolados. Um espaço proposital entre o lábio superior e o inferior, como ela sabia fazer, assim como todas as meninas que entram em curso de modelo. Click. Click. Click. Jeito de menina-mulher que conhecia bem o meu olhar. Ela se sentia à vontade, eu sei. Eu invadia sua epiderme com meus cliques, tantos ângulos, tanto tesão. Tesão é com esse ou com zé? Não importa, eu não estava interessado em saber gramática. Se bem que ela tem cara que ensina bem o bêabá. Um ar professoral que intimida o aluno, domestica, ensina com mão à palmatória, aluno dedicado que sou, levei maçã pra tia e levei a vontade de estudar aquele corpo. Biologia. E meu sistema cardíaco estava abalado, a respiração por um triz. Eu fotografei cada pedaço do corpo hurbano dela. Os pequenos, os grandes e os médios lábios. Os médios são os do rosto, antes que você diga que só existem os pequenos e os grandes. Click. Click. Click. Ela já estava na banheira e eu nem me dei conta. Eu já estava todo suado, e a câmera clicava o teto, o chão, as paredes, numa velocidade cada vez mais frenética. Era uma mão na câmera e outra pra cima e pra baixo. Ufa, acordei segurando o jato com as duas mãos. Não consegui encontra-la mais no meu sonho.
*esse texto faz parte da série Eu te paraliso com um click. Esse da foto sou eu clicado por Lula.

12.3.09

abaixo Hitler, bem embaixo.

Ela ouvia música, pelo balanço do corpo ao andar com o telefone na orelha direita. O computador estava ligado, possivelmente ela estava online e fazendo traquinagem na net. Comia algo, deveria ser uma fruta ou biscoitos ou chocolate e havia tomado banho, pelo menos os cabelos vermelhos estavam molhados. Usava apenas a parte de baixo da roupa, calcinha branca com detalhes vinho, os desenhos pareciam uns soldadinhos em guerra apontando seus canos endurecidos na trincheira. Linda. Deveria ter seus 18 anos, atingindo a maioridade e atingindo os maiores de todas as idades. Queria ouvir aquela conversa ao telefone, saber o que deixava aquela garota tão frenética. Ela tirou a calcinha fazendo todos os soldadinhos caírem no chão, cansados de guerra. Fazia calor lá e aqui. Que papo quente era aquele? Que seios, que mangas rosas, pêras, maçãs. Mulher branca de cabelos ruivos. E nua. Seu sexo com pêlos feitinhos parecia o bigode de Hitler, uma beleza. Eu não aguentava mais. Explodi a porra pela janela e meu desejo era alcançar a janela do décimo segundo andar do prédio da frente. Depois mostro todas as fotos que tirei da ruivinha, quadro a quadro. A cabelo de fogo nunca mais aparecera, havia mudado de endereço. Fiz um álbum na parede do meu quarto com suas fotos. Vem ver?

*esse texto faz parte da série Eu te paraliso com um click. Esse da foto sou eu clicado por Lula.

11.3.09

3 X quarto

Quero paralisar você com um click. É apertar o botão e você ficar paradinha, olhando pra mim, a cabeça caindo para o lado, seus cabelos bagunçados, seu sexo me desafiando. Você está com o mesmo perfume que te conheci, a pele bronzeada, os dois pés bem firmes no chão. Não, não dê as costas, quero você de frente, aberta, unhas com restos de café com rebu, os ombros caídos, pernas relaxadas. Vai, me chama com teu sexo, sem nexo. Embriaga-me com teu olhar provocante, teu teor alcoólico, teu beijo com vodca. Vem, seja quem manda que eu obedeço. Lambe meu dorso, deixa-me ereto, amarra-me com teus lençóis, deixa uma dor pulsante no meu pênis. Pronto, pode ir. Eu deixo você ir. Leva minha "glande" dor pulsante contigo. Até amanhã.

*esse texto faz parte da série Eu te paraliso com um click. Esse da foto sou eu clicado por Lula.

9.3.09

Das amizades.

Nesta vida eu estou para evoluir, aprender e colecionar pessoas. E essa garota da foto é uma figura que quero carregar para sempre no meu álbum, no meu coração. Porque quando a gente gosta muito (muito) de uma pessoa, a gente chega a ser piegas, dizer umas palavras bobas, uns trocadilhos? Porque quando a amizade é sincera e sadia, a vida fica com uma pitada de poesia, sabe? (tá vendo, fui piegas novamente). Tem nada não, deixa eu me aproveitar da poesia para expressar todo meu amor e consideração a esta pessoa superultramegahiperbaita carinhosa: Marília. Ela tem um abraço perfeito, é inteligente, já viajou pelo mundo todo e ainda tem um tempinho pra mim, fala inglês perfeitamente, enquanto eu ainda estou no Ok hot-dog good night, ela tem uma sensibilidade pra fotografia... tem estilo, dois filhos e sabe ser uma supermãe. Já bebemos juntos, dançamos, sorrimos (gargalhamos), choramos (não lembro?! Mas se for o caso, sabemos que podemos contar com o outro), comemos, morremos (de rir, é claro), fazemos os melhores trabalhos da faculdade ... Ah, deu vontade de escrever sobre tu, meu queijo do reino mais gostoso do meu reino. Nhé.

3.3.09

Do verbo querer.

Quero invadir teu lar, te beijar. Quero invadir teu corpo, te amar. Quero invadir tua vida, te levar. Quero correr feito louco, vento na cara, e te abraçar, suspender teu corpo como só eu sei fazer, prender tua respiração com meus lábios pequenos, sorrir teu sorriso, lamber teus dedos. Quero além. Quero dançar sem música no teu corpo de violão sem cordas, gritar tuas entranhas um grito mudo de desejo. Quero mais. Quero ser piegas e te mostrar os anéis de Saturno, respirar teu suor. Te quero. Quero tomar banho de chuva e depois você me enxuga como só você sabe fazer. Quero a alegria da criança que ganha um brinquedo, quero a esperança da mãe que procura o filho, quero quero quero. Você.