26.11.08

Um Jogo cheio de emoções.


O tabuleiro: Caio Fernando Abreu.
As peças: José Walter Albinati, Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves e Rômulo Braga.
As instruções: Mergulhar no universo de um escritor denso como Clarice Lispector e radical como Hilda Hilst, e refletir o amor, o medo e a solidão, não necessariamente nessa ordem.

Nesta terça-feira (25/11), fui ao Teatro por dois motivos: encontrar-me com a obra encenada Aqueles Dois, espetáculo criado a partir do conto homônimo de Caio Fernando Abreu, a quem tenho dedicado alguns minutos antes de dormir, lendo suas Cartas (Organização de Ítalo Moriconi) e para dar um abraço no José Walter, da Cia. Luna Lunera (MG).

Caio tem me consumido ultimamente. Ou seria eu quem está consumindo-o? Quem começa a ler Caio, vicia igual a pó. Calma gente, é só um exemplo pra ilustrar. rs Então, ele escreveu crônica, cartas, ficção, teatro... ele fala do amor, da falta de, da solidão, carência, desejo de estar com o outro etecetera.

Em cena, uma repartição pública e seus desdobramentos diários: papéis, arquivos, cafezinhos e a sintonia entre dois de seus novos funcionários. Será amor? Bom, só sei que me diverti muito, senti os olhos encherem de lágrimas algumas vezes, gargalhei e tive vontade de jogar com os atores naquela semiarena. Quatro jovens atores revezando-se nos dois papéis, belos e espontâneos, talentosos e vigorosos no palco. Cenário bem resolvido, figurino idem, luz espetacular, sonoplastia idem. Fico tão orgulhoso de ver um teatro feito com dignidade, simples, redondo, com uma estrutura fascinante.

Parabéns meninos! E quando quiserem voltar, a porta estará aberta, deixarei a chave no trinco.

*Foto de José Walter, roubada livremente do álbum do seu Orkut. rs