26.6.08

Madrugada diamantes, de amantes.

O telefone não estava mudo, mas o rapaz continuava mudo, mesmo sabendo falar, não dizia palavras, era como uma criança balbuciando os primeiros ais. Ligados por uma fibra ótica era possível ouvir sons da chuva, sopros no ouvido e arranhados de vozes. Envolto num emaranhado de pensamentos chegou o momento que era preciso desligar, e essa hora parecia despedida da mãe com o filho que iria para a guerra, o último abraço, o último beijo. Dor. O rapaz pôs o telefone no gancho e lavou o rosto na pia do banheiro, a água se misturava com lágrimas. Foi até a cozinha e pegou uma faca na última gaveta do armário, se posicionou em frente à mesa, abriu um saco de papel e tirou um pão francês, abriu-o e pôs mortadela. Saciou sua fome e contou uns zilhões de carneirinhos para pegar no sono.