13.10.08

das sedes.

Sentado com um isopor ao colo, em tom de velório, anunciava: tem fanta, tem toddy, tem coca, tem água, tem guaraná, chega tá geladinha.
Da maneira que ele falava, nem sede dava. E se tivéssemos com sede, pelo jeito que ele vendia, parecia que a fanta, o toddy, a coca, a água e o guaraná estavam quentes, competindo com o sol que fazia naquelas 15:20h no ponto do ônibus. Para esquecer que iríamos nos atrasar para a sessão de cinema das 15:40h, resolvi interagir para transformar aquela morbidez do vendedor ambulante em música, alegria, algo que realmente despertasse o interesse das pessoas que como eu estavam ansiosas para chegar em algum lugar, que instigasse a venda.
Ele continuava apresentando os seus produtos. Em dado momento ele não anunciava e ficou batendo os dedos no isopor, foi nessa hora que resolvi compartilhar com um barulhinho. Ele no isopor e eu batendo nas pernas com as palmas das mãos. Ele me olhou e deixou os dentes à mostra soltando um pequeno sorriso. Daí musiquei o discurso do rapaz: tem fanta, tem toddy, tem coca, tem água, tem guaraná, chega tá geladinha. Como num repente, numa embolada. Parei, ele já abria um sorriso enorme, continuando no ritmo alegre e festivo, mostrando que aprendeu. As pessoas do ponto já olhavam para o vendedor. E com certeza, se tivessem com sede, comprariam uma água, uma coca. E até mesmo sem sede, criaram empatia pela música do moço. Meu ônibus chegou e ele deu um tchau feliz como agradecimento.

3 comentários:

Luciana Pontual disse...

Já estava me irritando com aquele homem, ainda bem que vc estava lá e conseguiu fazer o vendedor cantar alegremente. E eu que quase coloquei uma fita crepe na boca dele... kkkkkkk

João Paulo Guimarães disse...

verídico mesmo? Rapaz.

Cleyton disse...

verdade verdadeira amigo joão. E a Luciana Pontual aí em cima, estava comigo. Abração.