26.6.08

Madrugada diamantes, de amantes.

O telefone não estava mudo, mas o rapaz continuava mudo, mesmo sabendo falar, não dizia palavras, era como uma criança balbuciando os primeiros ais. Ligados por uma fibra ótica era possível ouvir sons da chuva, sopros no ouvido e arranhados de vozes. Envolto num emaranhado de pensamentos chegou o momento que era preciso desligar, e essa hora parecia despedida da mãe com o filho que iria para a guerra, o último abraço, o último beijo. Dor. O rapaz pôs o telefone no gancho e lavou o rosto na pia do banheiro, a água se misturava com lágrimas. Foi até a cozinha e pegou uma faca na última gaveta do armário, se posicionou em frente à mesa, abriu um saco de papel e tirou um pão francês, abriu-o e pôs mortadela. Saciou sua fome e contou uns zilhões de carneirinhos para pegar no sono.

25.6.08

CONTO DE FODAS I - BRANCA DE NEVE E OS SETE BOYZINHOS.

Branca era branca, media 1,90m e pesava 54 kg, uma princesa de 20 aninhos, uma donzela, no leite, de rosas. Usava Gucci da 25 de março e tinha orkut mas não sabia o que era e-mail. Daí você tira. Gostava de passear pelas ruas depois das 22 horas. Não assistia TV, mas seu programa predileto era quando saia com um gringo, desses ricos que vem de férias e fica hospedado em Boa Viagem. Numa noite, num dos seus passeios pelas calçadas da Av. Conselheiro Aguiar, foi abordada por 7 homens num FOX, afinal de contas o carro vende conforto e amplo espaço interno. Os hominhos, que eram anões de 1,40m, não perderam oportunidade de dar um role com a gatinha branca.
Mestre comandava o volante sentado em três almofadas da Tok & Stok, enquanto Atchim, que sofria de rinite alérgica, fumava um baseado. Branca indicava o caminho e Mestre seguia o Lemon, um dos motéis mais caros do Recife. Soneca dormia enquanto Dunga se masturbava assitindo ao dvd de Calypso. Feliz, feliz da vida porque iria tirar o cabaço. Zangado não deu uma palavra até chegar ao Motel e Dengoso, já sabem, era gay, levara apenas uma digital para registrar os melhores momentos. Chegando ao motel, cada um que quisesse pegar primeiro a Branca. Tiraram “zerinho ou um” para manter a ordem da comilança.
Dengoso tomava todinho na banheira 10 cm d’água, morrendo de medo de morrer afogado. Mestre agora comandava o picão, vantagem que o deixava na frente dos outros já que assim não precisava de instrumentos para alcançar a bunda da gostosa. Dunga desistiu de encarar Branca, já havia gozado no carro vendo as coreografias e figurinos da banda Calypso, não agüentou. Soneca pegou no sono mamando a princesinha, Atchim cheirava seu Vick Inalador e morreu na punheta mesmo, não alcançava o traseiro da moça. Zangado levou pernas de pau, mas não deu em nada, Dengoso botou “boa noite Cinderela” em sua bebida. E Feliz sumiu do hotel puto da vida quando percebeu que Branca tinha pinto. Háháhá!

3.6.08

O cinzeiro da dona morreu de câncer.

Aquela dona fuma cinco carteiras de cigarros por dia, e não é cigarro fino com menos nicotina, se é que existe cigarro “fino”. Ela fuma cigarros do tipo “estoura pulmão”. Ih, a sala do escritório onde ela trabalha mais parece um cinzeiro gigante, não, ela não joga as pontas de cigarro pelo chão. Ambiente fechado, ar condicionado, é que a dona fuma lá dentro mesmo. Não precisa nem ter um cigarro aceso, mas você entra e traga toda aquela fedentina. As paredes fedem, os computadores fedem, o telefone fede, e ela eu nem falo, na altura do campeonato é mais uma repetição olfativa. Mas ela diz que esquece o cigarro no cinzeiro enquanto conversa ao telefone ou mexe no computador e quem vai morrer de câncer mesmo é o cinzeiro. Creia!