22.5.08

Queremos novos Teatros! E espaços com boas condições técnicas!

Ontem matei mais uma aula para ver Besouro-Mangagá morrer de morte matada. Foi esse o mote do espetáculo “Besouro Cordão de Ouro” do Rio de Janeiro pelo Festival Palco Giratório, no Teatro Armazém 14. O Musical conta e mostra a trajetória, filosofia, prática e música do capoeirista baiano, Manuel Henrique Pereira, o Besouro Cordão-de-Ouro ou o Besouro-Mangagá. Mais que isso: o espetáculo representa um pouco da história do Brasil, da nossa formação cultural na música, na dança e no ritual.
Assim que entramos no Teatro fomos recebidos pelos atores-personagens para “beber o morto”, ofereceram uma lapada de cana no velório de Besouro, em sua homenagem. (atenção especial ao trabalho de Iléa Ferraz, atriz de extrema presença cênica e concentração).
A peça começa com a morte e vai ganhando vida quando Iléa pega uma miniatura de navio em cima do caixão e “navega” pelo ar, como que chorando a morte de besouro, onde as lágrimas são as águas dos mares, águas salgadas da Bahia. E somos levados nessa “onda” para outro espaço: um círculo repleto de caixotes de madeira, painéis com versos das músicas, instrumentos percussivos, e homens e mulheres do povo. E aí começa com a fala de Marcelo Capobiango (ator de voz macia) acerca de Besouro e suas artimanhas. Chove. Mas chove mesmo, não é cena não. E os atores contam a história de Besouro. A chuva continua, goteira no palco e nas cabeças dos espectadores. A produção do festival e do espetáculo pede desculpas à platéia e resolvem parar - Porque os atores não podiam correr riscos, já que eles iriam dançar e jogar capoeira. Enquanto a produção falava os atores permaneciam imóveis, mas concentrados nas personagens. O linóleo (espécie de tapete em material vinílico para apresentações de dança) já estava todo molhado. Stop. Esperaria quinze minutos para enxugar o linóleo, e caso não voltasse a chover retomaria a peça de onde parou. Os atores saíram de cena em fila, arrasados, via-se no rosto. Chegou-se a ouvir o murmúrio “surreal, surreal” de uma das atrizes. Logo voltaram com a mesma força e encanto. A chuva não voltou... capoeira, músicas, alegria, festa. Em determinados momentos eu me senti em Salvador, no largo do pelourinho ou na calçada da igreja de São Pedro. Foi lindo! Mas continuo com o sentimento de indignação em relação ao poder público, que não investe o necessário em Cultura... a pobreza por espaços dignos de mostrar nossa arte.

4 comentários:

faziope disse...

Minha gente, vergonha total!
HAHAHAHAHAHAHA
"Surreal, surreal"
Educada a moça.
Se lá estivesse eu, diria: PUTAKIUPARIU! TEATRINHO DE MERDA. Bjo-e-nao-me-liga!
Hahahahahaha Veeeeeeelho... coitados.
E ainda saía cantando: Uh, fodeu! Cabelo encolheu!

Claro... ao menos ia rir, né?! Porque, minha nossa...

Eu lembro que em 2006 eu fui pr'um show de Tunai/Dalton/Biafra no Teatro do Parque. Bicho... de repente, aquela comoção da platéia. Quando vejo... um MORCEGO ENORME! E o pobre do cantor (nem lembro qual era) meio que continuou a tocar, sem cantar mais, ficou dando voltas no palco pra se esquivar. Gente... o povo só fazia rir! Virou comédia! HAHAHAHAHA

Cleyton disse...

Poizé, eu fiquei com a maior vergonha "Cráudio"...

faziope disse...

Olha a galera já na intimidade, rapaz... digué nada! ;P

Marcela Tenório disse...

Imaginei a cena (literalmente) e imaginei que nunca mais vou reclamar do meu trabalho! kkkkkkkkkk :) Sério, há mesmo uma coisa maior com esse povo das bandas das artes, porque são TANTAS adversidades, TANTAS ... Eeles lá, encantando e sendo encantados pelo seu próprio ar. Há uma certa superioridade em seres que vivem assim, se auto-alimentando.