16.5.08

histórias de amor e outras histórias

Ontem quando saí da faculdade, detive-me em observar o relacionamento de alguns casais. Logo na Praça do Derby um homem com cara de homem casado estava sentado num daqueles bancos que dezenas de pessoas usam para se encontrar, namorar e outras coisitas mais. É, porque róla muitas outras coisas. Em alguns momentos são camas, porque deitam pessoas que não têm teto e, casais que têm tetos, mas preferem fazer sexo ou as preliminares lá. Voltando para o homem com cara de homem casado. Ele sentado, e uma mulher com fartos seios numa blusa preta decotadíssima, os seios quase pulando, em sua frente. E para não cair, o homem fazia sua parte, apalpava-os com as mãos como se não tivesse ninguém por ali. Afinal de contas, a praça é pública. E já que é pública, era visível a vontade dele de abocanhar aqueles seios que mais pareciam balões de carne, churrasco mal passado para ele. E para quem passava por lá.
No ponto de ônibus, um homem esperava alguém, talvez sua esposa, já que ele tinha uma aliança que mais parecia um pneu dourado na mão esquerda. Dito e feito: logo em seguida um carro escuro para rente ao meio fio. Ele entra, o sinal fica vermelho, ele bota o cinto e beija a testa da motorista.
Ainda no ponto de ônibus, porque meu ônibus teimava em demorar, outro casal, Ele, um broto, “brotossauro”, cara e corpo de segurança, braços anabolizados com barriga de chopp. Ela, negra, uns trinta e cinco anos, com jaqueta jeans, o tempo estava neblinoso, cara de solteirona com um caderno nas mãos, ganhou um relógio usado dele para presentear alguém, supostamente seu pai, o relógio era masculino, e ele mostrava todas as funções à ela, alarme, lanterna, cronômetro. Mas havia uma certa distância neles dois, Ele parecia ser casado também. Ela pediu um beijo dele, Ele o fez em forma de selo, Ela idealizando, querendo estar mais perto, Ele atencioso no mesmo lugar, firme como na profissão de segurança, Ela falava da dificuldade que está enfrentando na escola, que não entendia patavina o que os professores diziam, Ele ouvia com o olhar, e dizia que era assim mesmo.
Meu ônibus chegou. E a vida continua com seus encontros e desencontros, amores e desamores, ilusões, desejos, vontade de estar junto.

Um comentário:

Marcela Tenório disse...

Eu achei triste ... triste que só. Muito me espanta, ainda, essa idéia burra do povo de estar mal acompanhado ao invés de estar sozinho. Mas sei lá, cada um sabe a solidão que aguenta, né?