26.12.08

Natal

Ele decidiu não desejar “Feliz Natal” a Seo ninguém, porque era tudo muito fake. Ele decidiu tomar uma meia dúzia de cervejas com o chefe e o colega de trabalho e tomar o ônibus rumo ao Lar Meu Querido Lar. Dentro do coletivo Ele apreciou os afetos de uma mãe jovem com uma criança nos braços, entre sacolas e um ventilador de chão. Ela possivelmente levava o calor humano, o filho e o ventilador para passar um Natal mais fresco. Ela se olhava no reflexo das janelas de vidro, a cor nova do cabelo, loiro-médio-alguma-coisa e estava feliz. Ele acenou para o cobrador, pois seu Allstar branco, nem tão branco assim, ficara preso na porta do meio. O sapato apertou para Ele realmente pensar no real significado no Natal e cochilou até a próxima parada. Abriu a porta de casa, tomou um banho, vestiu a camisa nova e dormiu no sofá, enquanto Xuxa tentava ser atriz num programa da TV. Ele se levantou, comeu alguma coisa com batatas e camarão, tomou duas cocas e voltou a dormir. Então foi Natal, um dia qualquer, como hoje, como semana que vem, como há seis meses.

24.12.08

21.12.08

Cores de Frida Kahlo, cores.


"Minha pintura carrega em si a mensagem da dor. Creio que ela interessa pelo menos a algumas pessoas".

Ontem no Teatro Capiba, na Mostra SESC de Teatro, tive o prazer de ver Matizes de Frida Kahlo - um palco-tela emoldurado de verdade cênica. Em cena, ou melhor, no quadro, dois jovens atores (Cláudio Malaquias e João Paulo Ferreira) pintando a vida e a obra de Frida Kahlo, pintora mexicana de forte personalidade, uma mulher à frente do seu tempo, que pintava sobretudo auto-retratos e, pela qualidade de seus traços, foi classificada surrealista por André Breton. "Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade".

Frida teve uma vida marcada por grandes tragédias: aos seis anos contraiu poliomielite, o que a deixou coxa, aos dezoito o ônibus que ela viajava chocou-se com um bonde, acarretando múltiplas fraturas e uma barra de ferro atravessou-a entrando pela bacia e saindo pela vagina. Ela passou o maior tempo de sua vida em cima de uma cama se recuperando, entre cirurgias e mais cirurgias. Sua mãe pendurou um espelho em cima da sua cama e era ali que ela pintava suas dores, adicionando as cores do folclore mexicano, cores fortes da sua cultura. Para expressar sua realidade, Frida buscava inspiração na dimensão brutal da sua dor. “Eu pinto-me a mim porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”. Frida contraiu pneumonia e morreu em 1954 de embolia pulmonar. “Espero alegremente a saída e espero nunca mais voltar - Frida”. Talvez ela não suportasse mais.

Confesso que no início do espetáculo, quando vi Cláudio com roupas femininas, salto alto e lábios encarnados tive medo. Medo de que ele caísse no ridículo, numa interpretação afetada, falseando uma voz e posturas femininas, já que possui traços altamente masculinos. Levei uma rasteira. Cláudio me encantava a cada momento, com uma sutileza no olhar, nos gestos limpos, no caminhar. Sem exageros, sem afinar a voz, sem imitar uma mulher. Assim também seu companheiro de cena, João Paulo, ator iniciante com presença de veterano. João pesquisa Frida há alguns anos e é multiartista: pintor, ator, escritor e diretor. Tudo isso sem nenhuma formação técnica, por puro prazer e busca. Ele tem um futuro brilhante: belo e com vontade de acertar.

A interpretação é o destaque da encenação. Uma interpretação não-dramática, estranhada, assemelhando-se a uma não-interpretação, onde se vê o ator em cena “representando” uma persona, seu ponto de vista. Sem sentimentalismo, sem psicologismo. A força da palavra estava no próprio texto, que eram frases da pintora, os escritos achados nos seus diários e um roteiro de seu espaço-tempo. O texto chegava à platéia sem exageros. A música no ponto: as canções populares do México e outras partituras acentuavam cada cena. O cenário realista-naturalista: a cama-leito, duas cadeiras de madeira, uma mesinha e telas. Outro ponto importante é a sintonia entre os dois atores, eles se olhavam, trocavam, contracenavam de fato. Cláudio, a Frida mexicana; João, a européia. A dualidade da pintora. Frida mulher, Frida homem, Frida bissexual. Frida artista, Frida esposa, Frida estéril. Frida em todas suas cores.

18.12.08

das defesas.

- Papai, papai, nesse natal eu quero uma arma do Samurai.
- Não meu filho, nada de arma.
- Então eu quero um escudo.

12.12.08

O homem é realmente livre?


15h. Era um domingo de maio. No Parque da Jaqueira as crianças brincavam, os adultos caminhavam ou faziam ginástica e o velho dormia num banco. Todos gozavam da liberdade até eu fazer o clique. Eu roubei a liberdade do velhinho e ele acordou com o barulho do disparo. Do flash, é claro. Mas eu queria registrar aquele silêncio em meio à agitação do Parque. Havia poesia naquele repouso. Era contrastante com todo o movimento do espaço, com o movimento da minha lente e com o movimento do meu corpo, onde tive que fazer uma “ginástica” para conseguir captar sua imagem por entre as brechas do banco. Por trás daquele semblante tinha um misto de alegria e tristeza.

10.12.08

Na mídia, na moda e na merda.

É dezembro. O mês em que as academias de ginásticas estão superlotadas e coisa e tal. Os boyzinhos já estão “puxando ferro” para tirar a camisa no carnaval e exibir seus monstruosos bíceps, tríceps, costas extralargas, barrigas de tanquinho e na maioria das vezes, as pernas finas e nenhum músculo na cabeça. Sim, porque o objetivo é “tirar a camisa” na folia e colecionar bocas, quanto mais bocas, melhor. Não se trata de qualidade, e sim, o saldo no fim do dia: beijei 25, beijei 12... e acaba transformando muitos sapos em princesas e vice-versa. Além da probabilidade de pegar muitos sapinhos. Ueber!
Conversando com meu dupla aqui da agência, chegamos a conclusão de que muitas meninas da nossa idade curtem isso mesmo: músculos. Que elas estão mais preocupadas em “estar na mídia” – acompanhadas de seus brotossauros na balada. Outra palavrinha mágica em seus mundos: balada. Porque a tendência do momento é saber qual a balada da noite, essas coisas. E a qualidade cada vez mais se perde, e as chances de ter um guarda-roupa mudo é bem grande. Não botando pra fudê no meu time mas que é vergonhoso é. Os caras só malham o corpo porra, vão ler um livro, nem que seja o zodíaco, para pelo menos ter o que discutir com a gatinha no barzinho. E pode até apimentar uma paquera: qual seu signo? Touro? Nossa gatinha, sou escorpião com ascendente em touro, não que eu acredite em signos, mas róla umas energias cósmicas e tal e coisa. Muitos não querem ter o que conversar e acabam ficando na “mídia, na moda e na merda”, como diz uma amiga da faculdade.

4.12.08

fluxo

É tudo muito estranho e doce. Depois de algumas decepções, um bocado de orgulho e egoísmo, você ainda acredita que pode ser bom. Escrevo, não para ser entendido, mas para que minhas palavras cheguem do outro lado do rio, depois da cerquinha com as vacas malhadas e os latidos de um cão sem plumas. Se é que me entendem. Não procurem entender-me. Então, essa coisa de se permitir é muito séria e tal. E distância é coisa muito séria também, sofro com ela. É como um "não" quando você quer um "sim". É a cara quando lhe roubam um brinquedo. É lacuna, folha em branco, calabouço. Não sei por que escrevo tudo isso, eu estou bem. Calma. Minha vida não é um tédio e me sinto como se estivesse brincando na rua descalço e todo molhado de suor, um menino que se alegra com algumas moedas e um monte de balas, doces. Estou feliz, sorriso na orelha e uma enorme vontade de te ver. Ver-te. Ter-te. E sonharmos nossos sonhos juntos. E de mãos dadas cumprimentarmos a lua cheia, vazia, nova, velha e minguante. Estar. Ser. E flexionar o verbo amar. É isso.

26.11.08

Um Jogo cheio de emoções.


O tabuleiro: Caio Fernando Abreu.
As peças: José Walter Albinati, Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves e Rômulo Braga.
As instruções: Mergulhar no universo de um escritor denso como Clarice Lispector e radical como Hilda Hilst, e refletir o amor, o medo e a solidão, não necessariamente nessa ordem.

Nesta terça-feira (25/11), fui ao Teatro por dois motivos: encontrar-me com a obra encenada Aqueles Dois, espetáculo criado a partir do conto homônimo de Caio Fernando Abreu, a quem tenho dedicado alguns minutos antes de dormir, lendo suas Cartas (Organização de Ítalo Moriconi) e para dar um abraço no José Walter, da Cia. Luna Lunera (MG).

Caio tem me consumido ultimamente. Ou seria eu quem está consumindo-o? Quem começa a ler Caio, vicia igual a pó. Calma gente, é só um exemplo pra ilustrar. rs Então, ele escreveu crônica, cartas, ficção, teatro... ele fala do amor, da falta de, da solidão, carência, desejo de estar com o outro etecetera.

Em cena, uma repartição pública e seus desdobramentos diários: papéis, arquivos, cafezinhos e a sintonia entre dois de seus novos funcionários. Será amor? Bom, só sei que me diverti muito, senti os olhos encherem de lágrimas algumas vezes, gargalhei e tive vontade de jogar com os atores naquela semiarena. Quatro jovens atores revezando-se nos dois papéis, belos e espontâneos, talentosos e vigorosos no palco. Cenário bem resolvido, figurino idem, luz espetacular, sonoplastia idem. Fico tão orgulhoso de ver um teatro feito com dignidade, simples, redondo, com uma estrutura fascinante.

Parabéns meninos! E quando quiserem voltar, a porta estará aberta, deixarei a chave no trinco.

*Foto de José Walter, roubada livremente do álbum do seu Orkut. rs

25.11.08

Senhoras e senhores!


A solidão bate na minha porta às vezes. O amor bate muitas vezes e eu não atendo. Hoje, resolvi deixar a chave no trinco do lado de fora, deixar a porta entreaberta para passar o vento, o tempo. Pintei as paredes do meu coração, lavei o chão, tirei as teias de aranha e coloquei placa de “aluga-se por tempo indeterminado”, não precisa de fiador, basta ter a vontade de sonhar e sorrir juntos. No contrato diz “tome cuidado para não arranhar as paredes desse coração” e “mantenha o clima sempre quente”. O amor bateu na minha porta e eu abri.

11.11.08

cartilha


de Obama pra Osama é um ésse,
de cu pra tu é um tê,
de Zeus pra Deus é um dê,
de lá pra cá é um cê.

7.11.08

Dos Voyeurismos.


Pensavam que não tinha ninguém por perto. E eu estava logo ali. Nem tão perto nem tão longe, uns 5 metros, mas eu vi tudo. Fazia calor naquela tarde e eu tomava um café e não tirava os olhos do acontecimento. Fez sinal com a cabeça como que dizendo “sim” e se aproximou. Tocaram-se e começaram a fazer amor. Eu estava vendo tudo, voyeur que sou continuei sem hesitar. Será que me viam? Não tinham vergonha? Mas o sexo é algo tão sublime, troca mútua (nem sempre!) de energia... mas assim na frente do outros? Na minha frente. Era um convite? Fetiche de serem vistos no ato? Desejo de convidar mais alguém para uma Ménage à trois?
Bom, continuei tomando meu café e não estava excitado, não haveria de quê.
Afinal de contas meu olhar era de uma criança, pura e casta. Não faça essa cara leitor, é verdade. Continuando: balançava a cabeça pra cima e pra baixo, e eu imaginava ela falando: me joga na parede, me joga na parede. Só que eu não ouvia nada, nada. Só fiquei observando o sexo das duas lagartixas em cima do muro daqui da agência. Engraçado isso, transando na frente dos outros. Na minha frente.

30.10.08

PESQUISA: O que a galera de Belém vê no meu blog?


Hoje resolvi fazer um estudo e descobrir qual a razão da enorme demanda de habitantes de Belém terem um blog, e mais ainda, por que tantos paraenses estão invadindo o meu blog? Isso não me incomoda, é curiosidade mesmo. Até em fascina, porque adoro fazer amizades e topar com gente que têm o dom da escrita. Então minha gente, não lembro como/onde/porque eu conheci o João Paulo, um cara bacana, amigo de profissão e blogueiro. Deve ter sido na Blogosfera... Daí em diante, zilhões de pessoas inteligentes (com belos escritos) chegaram aqui. E veio o Propaganda Podre, a Tainá, a Manoela etecetera. Uns já estão no êmi-esse-ene com direito a “bom dia, como você está?” e tudo e mais.
E olhe que de Belém, as referências que eu tinha eram pouquíssimas e algumas bem infantis: quando ouço/leio/escrevo a palavra Belém, o que vem à minha cabeça é a cidadezinha onde nasceu Jesus Cristo numa manjedoura. O pastelzinho de Belém e os ritmos Calypsos. Daí fui no Google e descobri que Belém é uma metrópole regional e é facilmente acedida por vias terrestre, aérea e fluvial, sendo uma das principais entradas para toda a região norte.
E mais: é conhecida como cidade das mangueiras, por ter várias árvores dessa fruta pelas ruas – uma das minhas frutas prediletas. Bom, não consegui resposta para minha pesquisa, mas uma coisa é certa: deu uma enorme vontade de ir à Belém. E galera, volte sempre.

28.10.08

Das sintonias.


Posso te levar num parque de diversão?
Vamos andar juntos na roda-gigante?
No trem fantasma se você tiver medo, feche os olhos e me abraça.
Quer maçã do amor ou algodão doce?
Amarra os cadarços do meu Allstar?
Faço uma enorme bola de chiclete e você rir da minha cara de bobo.
Pêra, uva, maçã ou salada mista?
Vamos brincar de médico e com você serei sempre paciente.
Eu cuido de você e você lava meus cabelos.
Quer pipoca com guaraná?
Bem-me-quer, bem-me-quer, você sempre me quer bem.
Eu também te quero, bem.

*Foto livremente "roubada" de um blog muito legal, esqueci qual. Quando topar com ele novamente completo o crédito.

19.10.08

Das insônias.

Você aí e eu aqui. Duas horas da madrugada, escuro e um calor infernal e aí já é manhã e você mostra seu quarto pela webcam, sua cama, os azulejos do banheiro, e pela janela cai neve. Zurique está branca. Meu quarto está preto. A luz do monitor auxilia enxergar o teclado e o sono não vem. Estou vestido com uma cueca vermelha, porque dizem que vermelho é paixão e ao meu lado duas taças de vinho e uma imensa saudade. Você sorri e te miro, te fito e te bebo em um gole só. Ouço o barulho dos carros, mas meu desejo maior é ouvir as batidas do teu coração, tua respiração, o tilintar dessas taças, nossos corpos em erupção.
Quando se está longe, relógio faz muito sentido, vinte quatro horas demoram séculos para passar e não tem chocolate que passe a ansiedade. Quando se está longe queremos tomar um supersônico e dividir uma sobremesa, ver um filminho e dormir de conchinhas.

15.10.08

festa (vidinha) sem graça.

Algumas surpresas, mas não de uvas; bem-casado, mas com placa de “aluga-se” continuava acreditando que um dia iria ganhar um beijinho, de côco. Mas terminou apaixonada por aquele cachorro, que não era quente.

13.10.08

das sedes.

Sentado com um isopor ao colo, em tom de velório, anunciava: tem fanta, tem toddy, tem coca, tem água, tem guaraná, chega tá geladinha.
Da maneira que ele falava, nem sede dava. E se tivéssemos com sede, pelo jeito que ele vendia, parecia que a fanta, o toddy, a coca, a água e o guaraná estavam quentes, competindo com o sol que fazia naquelas 15:20h no ponto do ônibus. Para esquecer que iríamos nos atrasar para a sessão de cinema das 15:40h, resolvi interagir para transformar aquela morbidez do vendedor ambulante em música, alegria, algo que realmente despertasse o interesse das pessoas que como eu estavam ansiosas para chegar em algum lugar, que instigasse a venda.
Ele continuava apresentando os seus produtos. Em dado momento ele não anunciava e ficou batendo os dedos no isopor, foi nessa hora que resolvi compartilhar com um barulhinho. Ele no isopor e eu batendo nas pernas com as palmas das mãos. Ele me olhou e deixou os dentes à mostra soltando um pequeno sorriso. Daí musiquei o discurso do rapaz: tem fanta, tem toddy, tem coca, tem água, tem guaraná, chega tá geladinha. Como num repente, numa embolada. Parei, ele já abria um sorriso enorme, continuando no ritmo alegre e festivo, mostrando que aprendeu. As pessoas do ponto já olhavam para o vendedor. E com certeza, se tivessem com sede, comprariam uma água, uma coca. E até mesmo sem sede, criaram empatia pela música do moço. Meu ônibus chegou e ele deu um tchau feliz como agradecimento.

2.10.08


"Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir o nãos que a vida te enfia goela abaixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar café e continuar."
Caio Fernando Abreu.

Recomendo, ótima leitura:
Caio Fernando Abreu - Cartas
Org. Italo Moriconi

16.9.08

dos maremotos.

Caminho sem sandálias. Às vezes dói pisar nas pedras. Mas muitas vezes me sinto confortado ao pisar na areia da praia. Meus pés se adaptam à densidade dos blocos de areia e a água passeia por entre os dedos trazendo sal e levando um pouco de mim pro fundo do mar.
Lá, os peixes brincam de roda com as conchas, as algas bailam a música feita pelas estrelas-do-mar.
E continuo seguindo, com areia e sal, pulando ondas e desviando dos ouriços.

9.9.08

Publicidade.

Currículo Vitae na minha profissão é pasta. Pasta pode ser creme dental, lugar pra guardar documentos ou um creme gostoso. Em publicidade pasta é onde você mostra suas idéias. Idéia no Aurélio é representação mental de coisa concreta ou abstrata, imaginação. Na pasta, os publicitários põem seus trabalhos que saíram na mídia e fantasmas. Calma, não é um monte de Gasparzinhos pulando na nossa pasta, fantasma é a denominação de peças criadas apenas para mostrar nossas idéias sem nunca terem saído na mídia. Mídia é a designação genérica dos meios, veículos e canais de comunicação. Comunicação é o ato de comunicar-se, interagir, dialogar, é trocar idéias. Publicitário trabalha com idéias, estratégias e ações para atingir o público-alvo. Público-alvo é o conjunto de pessoas ao qual se destina uma mensagem publicitária. Publicitário pode trabalhar nos departamentos de comunicação e marketing das empresas e em agências. Agência de publicidade atende contas e se divide nas seguintes áreas: atendimento, produção, mídia, direção de arte e redação. Contas são as empresas, os clientes. Quem faz a ponte com o cliente é o atendimento, que faz um Briefing para resolver os problemas de comunicação desses cleintes. Briefing não é um pedaço de carne. Briefing é um documento com as informações necessárias para criar os anúncios. O atendimento entrega o Briefing ao pessoal da criação. Criação é o departamento da agência onde se encontra geralmente um diretor de criação, um diretor de arte e um redator, que vão esmiuçar o Briefing para poder criar as peças. O diretor de arte é responsável pela composição da imagem, fotografia, cores e suas disposições num cartaz, anúncio de jornal etc. O redator lida com as palavras, tudo que for texto. Aquele título, aquela historinha ou aquela frase dita por uma mulher no rádio.
O desejo do pessoal da criação é que não chegue na sala um Briefing mal-passado. Depois da campanha ou peça serem aprovadas pelo cliente, o pessoal da produção orça com os fornecedores o tipo de papel, a impressão, essas coisas. E o mídia, pessoa responsável em fazer o contato com os veículos de comunicação, reserva a página do jornal, revista, outdoor ou intervalo comercial na tv, entre outras possibilidades.
Publicidade parece uma profissão de glamour. Pode até ser: a galera é animada, tem festa sempre, tortas, pizzas, cafezinhos a toda hora, happy hour depois do expediente e pode trabalhar de Allstar.
Mas é um trabalho que precisa de muita concentração e trabalho duro.

29.7.08

Cinema, aspirinas e uns vudus.

“Ela não tem bunda...” – Comentário do namorado, noivo, boy, sei lá o quê, da dona que estava sentada atrás de mim no cinema da Fundação no último sábado, referindo-se à Leandra Leal, a Camila de “Nome próprio” – Filme bom, com roteiro bom, bons atores, gostei de ver caras novas, bela direção de arte e um chato que não parava de comentar o filme todo. Imbecil! Coitada da mulher que estava com ele, porque se a pobre não tiver bunda, e ele ainda come, imagina o que ele anda falando dela... pior que isso para ela, é ele ter um pinto pequeno, e ela é inteligente em não dizer: “amor, ontem quando você estava no trabalho eu peguei seu irmão, ele não tem bunda como a Leandra Leal mas, tem uma piiiica!”.
Minha gente, a Leandra Leal pode até não ter bunda, mas ela é boa viu! Boa atriz... “ela é toda boa”, e duvido que o bestão falador não ficaria babando se a visse assim na rua.
Vá ver “Nome próprio” nos cinemas. E torça pra não ter um papagaio chato lá.

4.7.08

CONTO DE FODAS II - ISABELA ADORMECIDA.

Era uma vez uma garota, quer dizer, nem tão garota assim, que morava na cobertura de um prédio em Casa Forte, bairro nobre do Recife. Isabela, 25 anos, último ano da faculdade de Direito, Universidade Federal de Pernambuco. Estagiária do Desembagador J num escritório de Advocacia que ficava ali perto. Solteira, muito amigos (muitos amigos interessados, muitos amigos interessantes), festeira, adorava sair pra dançar e tomar seu uísque com guaraná, comprar roupas de marca, ver filminho com pipoca e beijar na boca, isso tudo era motivo de fotos para o orkut no outro dia: "eu e Branca na Nox", "tuntz tuntz tuntz", "é nós na fita", "amigas in-se-pa-rá-veis", "olha nossa cara de alegria" etc e tal.
Bela, como gostava de ser chamada, parecia fútil, mas era uma mulher legal, sem frescura, dessas que chegam perto mesmo, morava com os pais, o irmão pentelho de 7 anos e sua cachorra podlle Frida. Adorava internet, milkshake de chocolate, barzinhos, boates. Cabelos pretos no ombro, preferia vestidinhos que deixavam as pernas à mostra. No escritório terninho, em casa camisola tamanho G pra ficar bem soltinha no corpo, sem calcinha, é claro. O importante pra ela era a liberdade, inclusive nas partes de baixo. Gostava de usar sandálias havaianas e homens russos. Falava inglês, espanhol e estava matriculada no francês. Quando o assunto é língua é com ela mesmo, às vezes fico pensando que poderia ter sido uma boa aluna de letras. Mas escolheu as leis.
Isabela botou um vestidinho azul com branco e foi à festinha no Motel, gente moderna e descolada agora faz festinha em motel. 25 pessoas no motel, aniversário de Branca, sua melhor amiga. Cerveja e ice à vontade no freezer, petiscos e muita música, fumaça e camas redondas, quadradas, espelhos, piscinas e teto móvel, mas faltava o uísque com guaraná. Problema resolvido: Bela foi no Supermercado Extra comprar uísque e alguns saquinhos de Doritos.
De volta ao motel, muitas doses e dancinha sensual com as amigas à beira da piscina e mãos e bocas molhadas. Doses e gargalhadas e fotos. Mas Bela não se interessou por nenhum cara da festinha, apesar de ter gente em comum, havia uns desconhecidos e nada.
6 horas da manhã, todos embriagados, café da manhã na Select da Boa Vista e depois, Recife Antigo, ver a “pica” de Brenand, para quem não conhece é um monumento em forma de pênis que fica do outro lado do Marco Zero.
Lá pelas tantas, Bela agarrada com um boyzinho sem camisa, pés descalços, cabelo bagunçado e um pouco sujo, ela agarrara um mendigo. É, altos beijos colados, maior love. Os amigos chamando e ela sem dar a mínima. Gostou do sujeito, que andava com um vira-lata do lado. Ela só acompanhava as amigas se levassem o mendigo junto. Acordo feito, o garoto foi dormir em sua casa. Ela dorme e o resto você imagina leitor. Dessa vez a safadeza, eu deixo pra vocês imaginarem.

Questãozinha casca de banana:

a) Bela acorda com um beijo.
b) O mendigo leva seu laptop, jóias e dinheiro.
c) Ela é bulinada.
d) Eles vivem felizes para sempre.
e) NDR.

26.6.08

Madrugada diamantes, de amantes.

O telefone não estava mudo, mas o rapaz continuava mudo, mesmo sabendo falar, não dizia palavras, era como uma criança balbuciando os primeiros ais. Ligados por uma fibra ótica era possível ouvir sons da chuva, sopros no ouvido e arranhados de vozes. Envolto num emaranhado de pensamentos chegou o momento que era preciso desligar, e essa hora parecia despedida da mãe com o filho que iria para a guerra, o último abraço, o último beijo. Dor. O rapaz pôs o telefone no gancho e lavou o rosto na pia do banheiro, a água se misturava com lágrimas. Foi até a cozinha e pegou uma faca na última gaveta do armário, se posicionou em frente à mesa, abriu um saco de papel e tirou um pão francês, abriu-o e pôs mortadela. Saciou sua fome e contou uns zilhões de carneirinhos para pegar no sono.

25.6.08

CONTO DE FODAS I - BRANCA DE NEVE E OS SETE BOYZINHOS.

Branca era branca, media 1,90m e pesava 54 kg, uma princesa de 20 aninhos, uma donzela, no leite, de rosas. Usava Gucci da 25 de março e tinha orkut mas não sabia o que era e-mail. Daí você tira. Gostava de passear pelas ruas depois das 22 horas. Não assistia TV, mas seu programa predileto era quando saia com um gringo, desses ricos que vem de férias e fica hospedado em Boa Viagem. Numa noite, num dos seus passeios pelas calçadas da Av. Conselheiro Aguiar, foi abordada por 7 homens num FOX, afinal de contas o carro vende conforto e amplo espaço interno. Os hominhos, que eram anões de 1,40m, não perderam oportunidade de dar um role com a gatinha branca.
Mestre comandava o volante sentado em três almofadas da Tok & Stok, enquanto Atchim, que sofria de rinite alérgica, fumava um baseado. Branca indicava o caminho e Mestre seguia o Lemon, um dos motéis mais caros do Recife. Soneca dormia enquanto Dunga se masturbava assitindo ao dvd de Calypso. Feliz, feliz da vida porque iria tirar o cabaço. Zangado não deu uma palavra até chegar ao Motel e Dengoso, já sabem, era gay, levara apenas uma digital para registrar os melhores momentos. Chegando ao motel, cada um que quisesse pegar primeiro a Branca. Tiraram “zerinho ou um” para manter a ordem da comilança.
Dengoso tomava todinho na banheira 10 cm d’água, morrendo de medo de morrer afogado. Mestre agora comandava o picão, vantagem que o deixava na frente dos outros já que assim não precisava de instrumentos para alcançar a bunda da gostosa. Dunga desistiu de encarar Branca, já havia gozado no carro vendo as coreografias e figurinos da banda Calypso, não agüentou. Soneca pegou no sono mamando a princesinha, Atchim cheirava seu Vick Inalador e morreu na punheta mesmo, não alcançava o traseiro da moça. Zangado levou pernas de pau, mas não deu em nada, Dengoso botou “boa noite Cinderela” em sua bebida. E Feliz sumiu do hotel puto da vida quando percebeu que Branca tinha pinto. Háháhá!

3.6.08

O cinzeiro da dona morreu de câncer.

Aquela dona fuma cinco carteiras de cigarros por dia, e não é cigarro fino com menos nicotina, se é que existe cigarro “fino”. Ela fuma cigarros do tipo “estoura pulmão”. Ih, a sala do escritório onde ela trabalha mais parece um cinzeiro gigante, não, ela não joga as pontas de cigarro pelo chão. Ambiente fechado, ar condicionado, é que a dona fuma lá dentro mesmo. Não precisa nem ter um cigarro aceso, mas você entra e traga toda aquela fedentina. As paredes fedem, os computadores fedem, o telefone fede, e ela eu nem falo, na altura do campeonato é mais uma repetição olfativa. Mas ela diz que esquece o cigarro no cinzeiro enquanto conversa ao telefone ou mexe no computador e quem vai morrer de câncer mesmo é o cinzeiro. Creia!

29.5.08

a-a-a-a-a-a-tchim!

O homem suspendeu a mão no ar, em frente ao rosto e ficou. Isso me chamou a atenção, porque pensei que ele fosse espirrar. Esperei para ver. Deveria ser um estrondo. Daí, ele pressionou os dedos polegar e indicador da mão direita sobre os olhos. Pensei: ele não está se sentindo bem, e estava num cruzamento, pronto para atravessar, isso poderia ser muito perigoso. Cheguei perto do cara. Você quer ajuda? Aí ele já estava chorando, as lágrimas caindo como numa cachoeira. Ele: não, obrigado. É só conjuntivite, vou comprar remédio ali no Bompreço. Fiquei preocupado, juro. Pensei até que ele poderia se jogar na frente de um carro, porque conjuntivite não era não. Uma garota que esperava atravessar a via percebeu o lance e soltou: se não foi gaia, foi demitido do trabalho. Vai saber.

22.5.08

Queremos novos Teatros! E espaços com boas condições técnicas!

Ontem matei mais uma aula para ver Besouro-Mangagá morrer de morte matada. Foi esse o mote do espetáculo “Besouro Cordão de Ouro” do Rio de Janeiro pelo Festival Palco Giratório, no Teatro Armazém 14. O Musical conta e mostra a trajetória, filosofia, prática e música do capoeirista baiano, Manuel Henrique Pereira, o Besouro Cordão-de-Ouro ou o Besouro-Mangagá. Mais que isso: o espetáculo representa um pouco da história do Brasil, da nossa formação cultural na música, na dança e no ritual.
Assim que entramos no Teatro fomos recebidos pelos atores-personagens para “beber o morto”, ofereceram uma lapada de cana no velório de Besouro, em sua homenagem. (atenção especial ao trabalho de Iléa Ferraz, atriz de extrema presença cênica e concentração).
A peça começa com a morte e vai ganhando vida quando Iléa pega uma miniatura de navio em cima do caixão e “navega” pelo ar, como que chorando a morte de besouro, onde as lágrimas são as águas dos mares, águas salgadas da Bahia. E somos levados nessa “onda” para outro espaço: um círculo repleto de caixotes de madeira, painéis com versos das músicas, instrumentos percussivos, e homens e mulheres do povo. E aí começa com a fala de Marcelo Capobiango (ator de voz macia) acerca de Besouro e suas artimanhas. Chove. Mas chove mesmo, não é cena não. E os atores contam a história de Besouro. A chuva continua, goteira no palco e nas cabeças dos espectadores. A produção do festival e do espetáculo pede desculpas à platéia e resolvem parar - Porque os atores não podiam correr riscos, já que eles iriam dançar e jogar capoeira. Enquanto a produção falava os atores permaneciam imóveis, mas concentrados nas personagens. O linóleo (espécie de tapete em material vinílico para apresentações de dança) já estava todo molhado. Stop. Esperaria quinze minutos para enxugar o linóleo, e caso não voltasse a chover retomaria a peça de onde parou. Os atores saíram de cena em fila, arrasados, via-se no rosto. Chegou-se a ouvir o murmúrio “surreal, surreal” de uma das atrizes. Logo voltaram com a mesma força e encanto. A chuva não voltou... capoeira, músicas, alegria, festa. Em determinados momentos eu me senti em Salvador, no largo do pelourinho ou na calçada da igreja de São Pedro. Foi lindo! Mas continuo com o sentimento de indignação em relação ao poder público, que não investe o necessário em Cultura... a pobreza por espaços dignos de mostrar nossa arte.

21.5.08

Ensaio sobre o vício
Entre um job e outro, a designer Anne Cavalcanti é pega usando pó, Avon.

16.5.08

histórias de amor e outras histórias

Ontem quando saí da faculdade, detive-me em observar o relacionamento de alguns casais. Logo na Praça do Derby um homem com cara de homem casado estava sentado num daqueles bancos que dezenas de pessoas usam para se encontrar, namorar e outras coisitas mais. É, porque róla muitas outras coisas. Em alguns momentos são camas, porque deitam pessoas que não têm teto e, casais que têm tetos, mas preferem fazer sexo ou as preliminares lá. Voltando para o homem com cara de homem casado. Ele sentado, e uma mulher com fartos seios numa blusa preta decotadíssima, os seios quase pulando, em sua frente. E para não cair, o homem fazia sua parte, apalpava-os com as mãos como se não tivesse ninguém por ali. Afinal de contas, a praça é pública. E já que é pública, era visível a vontade dele de abocanhar aqueles seios que mais pareciam balões de carne, churrasco mal passado para ele. E para quem passava por lá.
No ponto de ônibus, um homem esperava alguém, talvez sua esposa, já que ele tinha uma aliança que mais parecia um pneu dourado na mão esquerda. Dito e feito: logo em seguida um carro escuro para rente ao meio fio. Ele entra, o sinal fica vermelho, ele bota o cinto e beija a testa da motorista.
Ainda no ponto de ônibus, porque meu ônibus teimava em demorar, outro casal, Ele, um broto, “brotossauro”, cara e corpo de segurança, braços anabolizados com barriga de chopp. Ela, negra, uns trinta e cinco anos, com jaqueta jeans, o tempo estava neblinoso, cara de solteirona com um caderno nas mãos, ganhou um relógio usado dele para presentear alguém, supostamente seu pai, o relógio era masculino, e ele mostrava todas as funções à ela, alarme, lanterna, cronômetro. Mas havia uma certa distância neles dois, Ele parecia ser casado também. Ela pediu um beijo dele, Ele o fez em forma de selo, Ela idealizando, querendo estar mais perto, Ele atencioso no mesmo lugar, firme como na profissão de segurança, Ela falava da dificuldade que está enfrentando na escola, que não entendia patavina o que os professores diziam, Ele ouvia com o olhar, e dizia que era assim mesmo.
Meu ônibus chegou. E a vida continua com seus encontros e desencontros, amores e desamores, ilusões, desejos, vontade de estar junto.

15.5.08

O Porco

“Quando a gente quer, quando a gente quer, a gente faz” – falou olhando nos meus olhos depois de um forte abraço, aquele homem simples e com aspecto de miúdo e frágil, que me encantou com um par de meias vermelhas e um sorriso que vinha do lado de dentro. Emocionei-me com a sutileza e simplicidade com que guiou o espetáculo “O porco”, adaptação do texto de Raymond Cousse, apresentado ontem no Teatro Hermilo Borba Filho, pelo Festival Palco Giratório. Fica para trás o aspecto de miúdo e frágil quando se pára para ouvir Antonio Januzelli. E depois de ter visto o lindo “porco” do ator Henrique Schafer, saí do Teatro transf(t)ornado com aquele universo rico em dramaticidade, inércia e dinâmica, aquela luz cortada que sugere caminhos a seguir com possibilidades de desviar, recuar ou simplesmente seguir, mesmo que seja xeque-mate, porque no espetáculo para mim, o Rei é o porco e não o porqueiro. A ausência de sonoplastia (e é necessária?)... a música do corpo de Henrique por si só grita, emudece, dialoga com o espaço (quadrado), com os espectadores, com o cosmos.
É de uma verdade cênica absurda e real e simples. Você entra no jogo (cerca) e enxerga o porco no homem e vice-e-versa, sem precisar ver o porco gruindo ou o ator “animalizando” o bicho. No mínimo, em alguns momentos, Henrique usa as mãos, que desenha as patas do animal. E só, o resto é trabalho físico, entrega, espírito, presença.
Evoé!

Sinopse: O monólogo retrata um porco que relembra momentos de sua existência. Na reconstituição de sua trajetória, fala de seus antepassados, sua família, sua condição social e seus desejos. Não há metáforas. O que se ouve é o que se fala, ainda que prevaleça um jogo entre o que se expressa e o que se sente. Um jogo que se traduz em um passeio pelo “porão animal do homem a caminho do abate”.

14.5.08

ENSAIO SOBRE A GUERRA

jogar lixo na casa do vizinho e vice-e-versa.

ENSAIO SOBRE A LOUCURA

arquiteto renomado arquiteta a própria morte.

ENSAIO SOBRE A FALTA DE AMOR AO PRÓXIMO

jogar uma criança de seis anos pela janela como quem joga cinzas do cigarro.

ENSAIO SOBRE A FALTA DE AMOR-PRÓPRIO

tomar chumbinho como quem toma um iogurte. e geralmente acabam tomando no.

ENSAIO SOBRE A SOLIDARIEDADE

órgãos de crianças são exportados sem frete. doados ou doídos?

ENSAIO SOBRE O ABANDONO

mulher da periferia larga marido e filhos para morar com italiano numa casinha de papelão.

ENSAIO SOBRE A SOLIDÃO

mulher veste prada, usa lou lou e tranca-se em casa.

ENSAIO SOBRE A VIOLÊNCIA

o homem põe o revólver na sua cara, leva seu carro e ainda oferece balas. e você torce que seja halls.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

um deficiente visual se aproveita da ajuda de uma loira gostosa: - nuntôvenunadaa.

13.5.08

ENSAIO SOBRE A FOME

criança come o seio da mãe em praça pública.

Hoje eu poderia ser professor de ciências, dentista, ortopedista, psicólogo ou repórter.

Hoje eu poderia ser professor de ciências, dentista, ortopedista, psicólogo ou repórter. É que em criança eu dizia que ia ser professor de ciências, porque adorava estudar o corpo humano, sistema ósseo, circulatório, respiratório, essas coisas. Também queria ser dentista, achava bonito quem tinha essa profissão. Engraçado, na primeira vez que fui ao dentista, enquanto esperava chamar meu nome na sala de espera, ouvi o barulho da broca e uma criança chorando, corri desesperadamente pra casa e deixei meu irmão mais velho lá. Minha adoração por estudar os ossos na escola, me fez querer ser ortopedista (na verdade, eu já quebrei o pé três vezes, e achava o máximo o processo de colocar o gesso). Sempre gostei de falar em público, e com isso dizia que queria ser repórter, mas as experiências do discurso no microfone foram na formatura do ABC, na primeira comunhão etc. (sempre era escolhido para ser o orador). Até já fui repórter, mas numa peça de Teatro. E também já fui dentista, noutra peça. E nessa confusão toda de não saber ao certo o que escolher ser quando crescer, fui me inscrever no vestibular de psicologia. Desisti no caminho. E no próximo vestibular, me inscrevi para Publicidade. Foi aí que percebi que era isso mesmo o que eu sabia fazer: escrever, falar, persuadir, comunicar. A imaginação, o lúdico, as metáforas, o uso da palavra sempre me acompanharam e hoje só me enxergo como redator publicitário. Poderia ser um excelente professor de ciências, um dentista competente e que não põe medo nas crianças, um ortopedista de primeira, um psicólogo de sucesso ou um repórter de voz forte, mas tenho um caso de amor com as palavras. Por isso escolhi ser redator publicitário. Sou homem de palavra. E palavras.
O CASO ISABELLA POR UMA CRIANÇA DE SEIS ANOS QUE OUVE RÁDIO AM ou
A IMPORTÂNCIA DA PONTUAÇÃO NUMA FRASE:


“O caso Isabella é a menina que morreu o pai dela jogou ela da janela com a madrasta”.

Pedro Henrique, meu sobrinho de 6 anos.