9.11.09

internet: um quadro crítico.

- tc de onde?
- ctba e vc?
- curitiba?
- s
- ah, estou em ssa
- ?
- salvador
- ah
- idade?
- 28 e vc?
- 17
- vc é de menor muleque...
- só a idade...
- como?
- de menor só a idade pow
- ah
- o que curte?
- praia, cinema, futebol...
- falo na cama
- ah, dormir e tu?
- fazer amor gostoso
- hum, que vc faz da vida?
- estudo
- pro vestibular?
- não, estou na oitava série.
- hum
- e tu?
- sou fisioterapeuta
- o que é isso?
- pesquisa no Google
- ok, manda uma foto tua
- está bem
- nossa, você é a cara daquela doidinha do quadro
- sou eu, só cortei o cabelo.
- caraleo meu irmão, quero ficar contigo
- ok, mas seu pau é grande mesmo?

6.11.09

saladela

Você no sofá vendo tevê, eu na cozinha te querendo. Enquanto você se distrai com a trama eu corto as folhas de alface e preparo uma salada daquelas. Eu, bandido com a faca afiada nas mãos. Você, mocinha vendo televisão. Tomates secos, alcaparras, ricota de cá. Comercial de shampoo com celebridade da novela das oito de lá. E você aproveita o reclame para visitar a cozinha e me desarmar. Com você eu me rendo, me arrebento. Molho de mel e mostarda. Eu não sei se como a salada na sala ou te como na cozinha.

5.11.09

hoje é dia 05

e eu postei aqui, leitor querido, tempo nublado no céu da boca: http://blogdas30pessoas.blogspot.com/2009/11/tempo-nublado-no-ceu-da-boca.html

4.11.09

Caiu na rede é pixel

Se ficar o JPEG, se correr o Corel Draw.

2.11.09

Ossos do orifício

A profissional do sexo foi fazer uma posição diferente para fidelizar o cliente e acabou quebrando o cóccix. É, são ossos do orifício.

30.10.09

Cuidado, carneiros na pista!

Com o pulso esquerdo encostado no portão dos fundos e um cigarro entre os dedos de unhas pintadas de vermelho fechado Inha se lembrava de como era bom aquele tempo sem relógio e não-me-toques. A cada tragada ela resgatava as brincadeiras de rua, quando subir em árvore era o máximo, ser confundida com goiabas, mangas, pitombas. Na fumaça do cigarro vinha a poeira da barra-bandeira pega-pega esconde-esconde e também Bruno filho de Antônia com seus olhos castanhos claros verde quase mar e as sobrancelhas arqueadas com umas falhinhas e grossas. Desculpe não colocar nenhuma vírgula nessa sentença, leitor. É que quando Inha brincava não tinha pausa a não ser para olhar Bruno. Na brincadeira de esconde-esconde Inha fazia questão de desaparecer onde Bruno aparecia. Ela escondia um desejo no buraco do coração. Buraco do coração era o nome que os meninos deram a uma barreira em forma de coração que tinha no outro lado da rua de cima. E era o sentimento dela. Inha jogou a ponta do cigarro, lavou os pés para dormir e a mente coloriu os banhos de rio, as pedras que juntava numa latinha e dizia que eram preciosas, os bonequinhos de massapê. Um dia, naquele mesmo esconderijo, Inha disse para Bruno que as nuvens eram carneirinhos e que aquelas pedras que ela guardava eram os beijos que ela queria dar. Inha esticou o lençol e deitou a cabeça no travesseiro. Não conseguia dormir, Bruno na cabeça. Inha, aos 35 anos contou carneirinhos como em criança. Não os carneirinhos daquelas estradas de barro. Quinhentos e um, quinhetos e dois... pegou no sono e sonhou com o filho de Antônia com seus olhos castanhos claros verde quase mar e as sobrancelhas arqueadas com umas falhinhas e grossas.

Rios e risos.

Rio. Rio Capibaribe, rio Tigre, Rio de Janeiro. Rio desse teu jeito vil. Rio da dor, rio de águas mansas, Rio do Arpoador. Rio de mim, só rio, rio de ti viu? Sorrio.

29.10.09

Cleytudo Buarque de Holanda

Samba-canção: a cabeça de baixo não pensa, nem canta. Só se ergue.
Amador: profissional que odeia a felicidade.
Licor: o cego lê com os olhos do ouvido.
Porta-retrato: você mais que 3x4 no olho mágico.
Ginástica olímpica: massagem ao ego nas alturas. Amém.

28.10.09

Santa & Paciência (diálogo IV)

SANTA – Então... estou toda dolorida.
PACIÊNCIA – Pegou muito sol ontem?
SANTA – Não, aquelas posições que você me falou.
PACIÊNCIA – É que você era acostumada com De Quatro e Papai e Mamãe. São básicas.
SANTA – A mulher sentada por cima do cara que é superbásica.
PACIÊNCIA – assim como o Frango Assado, normalzinha.
SANTA – Frango assado é bom, mas dói né?
PACIÊNCIA – O negócio é Kama Sutra, já dei o toque.
SANTA – Tem umas posições esquisitíssimas.
PACIÊNCIA – Ah, paciência! Tem uma bem legal. O homem por cima e a mulher cruza as pernas envolta das costas do cara.
SANTA – Você é uma danadinha. Anal eu não consigo. Já tentei com dois caras e vi que essa posição não é minha. Dói e sentindo dor não rola.
PACIÊNCIA – No começo até dói, mas depois passa.
SANTA – O Jairo deve pirar contigo... ele geralmente chega essa hora né?
PACIÊNCIA – É amiga, vou entrar, ainda irei preparar comidinha. Depois a gente bota o papo em dia.

(dois beijinhos: Mummmmmm-ráááááá, Mummmmmm-ráááááá)
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Quem quiser acompanhar os diálogos de Santa & Paciência, podem achar os outros textos pelo blog, ou deixa o e-mail que mando.

estado

Frenético.
Catártico.
Kamikazi.
Ritmo de terreiro de macumba e silêncios do corpo de Cristo no céu da boca.